Hélio Jaguaribe 100 anos

 

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A Divisão de Memória Institucional (DMI) do Sistema de Bibliotecas e Informação (SiBI) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) celebra o centenário do professor, escritor, advogado, sociólogo, cientista político e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Hélio Jaguaribe Gomes de Mattos (1923-2018) reunindo em uma exposição bibliográfica e iconográfica a sua trajetória intelectual, social e política brasileira.

A Exposição “Hélio Jaguaribe 100 anos” foi organizada pela DMI em quatro eixos temáticos de acordo com a sua trajetória. Ficando dessa forma dimensionada: 1º eixo: vida e trajetória; 2° eixo: estudos filosóficos, históricos, sociológicos e políticos; 3º eixo: desenvolvimentismo e economia e o 4º eixo: relações internacionais e América Latina.

Hélio Jaguaribe nasceu em 23 de abril de 1923, no Rio de Janeiro. Era filho do cartógrafo, geógrafo e general Francisco Jaguaribe Gomes de Mattos e de Francelina Santos Jaguaribe de Matos, oriunda de uma família portuguesa. Ele se casou com Maria Lúcia Charnaux com quem teve cinco filhos: Anna, Roberto, Cláudia, Beatriz e  Isabel.

Hélio Jaguaribe graduou-se, em 1946, em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Recebeu várias honrarias ao longo de sua carreira, dentre as mais importantes foram: o grau de Doutor Honoris Causa, em 1983, da Universidade de Mainz, na Alemanha; em 1992, o mesmo título lhe foi concedido pela Universidade Federal da Paraíba e pela Universidade de Buenos Aires, na Argentina; em 1984, foi agraciado como Grande Oficial da Ordem do Mérito; com a Orden del Libertador San Martín; com a Orden Mexicana del Aguilla Azteca; em 1996, recebeu a Grã-cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico; em 1999, recebeu a Ordem do Mérito Cultural pelo Ministério da Cultura no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002); recebeu também a Ordem do Rio Branco; em 2001, recebeu a Ordem do Infante D. Henrique de Portugal; e, em 3 de março de 2005, foi eleito como o nono ocupante da Cadeira número 11, na ABL, na sucessão de Celso Furtado e recebido em 22 de julho de 2005 pelo acadêmico Candido Mendes de Almeida.

Em 1953, contribuiu para fundar o Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (IBESP). Jaguaribe tornou- se secretário-geral e diretor, auxiliando na publicação da revista “Cadernos de Nosso Tempo”, que tinha como foco ensaios nas áreas de sociologia e economia.

Em 1955, foi criado pelos membros do IBESP e decretado pelo presidente Café Filho (1954-1955) o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Este tinha como intuito influenciar nas decisões no que se referia à orientação do desenvolvimento nacional. Em 1958, após a publicação da obra “O nacionalismo na atualidade brasileira”, de autoria de Jaguaribe, o ISEB passou por uma grande crise interna. No livro, Jaguaribe criticava o modelo de nacionalismo empregado no país e que, segundo o autor, espantava investimentos de outros países no Brasil, gerando um consequente atraso no seu desenvolvimento.

Em 1964, foi morar nos Estados Unidos após ter criticado publicamente o golpe militar que derrubou o governo do presidente João Goulart (1961-1964). Neste período, lecionou em algumas das mais prestigiadas universidades estadunidenses: Harvard (1964 a 1966); Stanford (1966 a 1967); e Massachusetts Institute of Technology (MIT) (1968 a 1969). Em 1969, retornou ao Brasil e se tornou diretor de assuntos internacionais da Universidade Cândido Mendes. Em 1979, foi nomeado decano do recém-criado Instituto de Estudos Políticos e Sociais (IEPS), permanecendo na função até 2003. Após a sua saída, Jaguaribe foi nomeado decano emérito do IEPS.

Após o processo de redemocratização, em 1985, durante o governo José Sarney (1985-1990), Jaguaribe foi o coordenador do Projeto Brasil 2000, cujos resultados foram publicados, em 1986, no livro “Brasil 2000: para um novo pacto social”. Dois anos depois, em 1988, foi publicado o segundo volume do projeto: “Brasil: reforma ou caos”. Durante a realização deste segundo livro, Jaguaribe foi convidado pelo Instituto de Economia da UFRJ a lecionar como professor visitante para debater tais pesquisas. Ainda em 1988, Jaguaribe auxiliou na fundação do Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB. Em 1992, abriu mão de suas funções partidárias e aceitou o cargo de secretário da Ciência e Tecnologia do governo do então presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992). Com a destituição do governo, Jaguaribe voltou a atuar no campo acadêmico.

Hélio Jaguaribe faleceu em 10 de setembro de 2018, em sua casa, no Rio de Janeiro. Após a sua morte o Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE) da UFRJ o homenageou com a Cátedra Hélio Jaguaribe que busca analisar as relações entre a democracia e suas instituições e o desenvolvimento econômico, com a intenção de investigar a hipótese de uma possível incompatibilidade entre a adoção de políticas centradas no mercado com a eventual supressão de direitos e a vigência de um projeto estável de regime democrático, privilegiando, assim, as relações entre os poderes.

 

Andréa Cristina de Barros Queiroz

Historiadora da UFRJ

Diretora da Divisão de Memória Institucional/SiBI/UFRJ

 

 

 

Catálogo das obras de Hélio Jaguaribe na Base Minerva da UFRJ

 

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O legado bibliográfico de Darcy Ribeiro nos acervos da UFRJ

 

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Marcos Darcy Silveira Ribeiro 1922-1997

Darcy faria 100 anos. Sem Darcy, ficamos sem o intelectual brilhante e suas produções bibliográficas que ajudavam a pensar o país.

A curadoria da exposição reúne a bibliografia por períodos, considerando a conjuntura nacional e a sua trajetória pessoal na época de publicação de suas obras. A travessia intelectual de Darcy Ribeiro pressupõe situá-lo no contexto histórico em que escreveu parte de sua extensa obra. Assim, as apresentamos reunidas em quatro grupos temáticos; Educação, Índios, Governo e Sócio-política, motivados por sua fala em 1994:

Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando e lutando, como um cruzado, pelas causas que me comovem. Elas são muitas, demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, o socialismo em liberdade, a universidade necessária. […] me atrevo a recomendar duas coisas aos jovens de hoje. Primeiro, que não respeitem seus pais, porque estão recebendo, como herança, um Brasil muito feio e injusto, por culpa deles.”

As obras reunidas nesta exposição virtual fazem parte dos acervos das bibliotecas da UFRJ, sendo algumas consideradas raras. 

A exposição virtual tem como objetivo refletir sobre alguns aspectos do percurso intelectual do antropólogo, professor, escritor e político brasileiro Darcy Ribeiro, tendo como base sua produção literária, antropológica e ensaística. É conhecido por seu foco em relação aos índios e à educação no país, tendo sido pioneiro em pesquisas etnológicas realizadas entre os anos de 1950 e 1960.

Devido ao seu grande engajamento político, teve a vida, a obra e a história refletidas no pensamento social, nas pesquisas antropológicas e nas disputas políticas do povo brasileiro.

 

Paula Maria Abrantes Cotta de Mello

Coordenadora do Sistema de Bibliotecas e Informação – SiBI/UFRJ

 

 

 

Acesse aqui o catálogo das obras de Darcy Ribeiro na Base Minerva da UFRJ

Patrimônio Histórico e Cultural

Centro de Arte Hélio Oiticica

Colégio de Aplicação da UFRJ

Edifício Jorge Machado Moreira

Escola de Enfermagem Anna Nery

Escola de Música

Faculdade de Direito

Faculdade de Medicina (Av. Pasteur, 458)

Faculdade Nacional de Filosofia

Fórum de Ciência e Cultura (Av. Rui Barbosa, 762)

Fundação Universitária José Bonifácio

Hospital Escola São Francisco de Assis

Hospital Universitário Clementino Fraga Filho

Instituto de Filosofia e Ciências Sociais e Instituto de História

Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira

Observatório do Valongo

Palácio Universitário

Teatro de Arena Carvalho Netto

Vila Residencial

Museus e Entes Museais

 

Acervo Histórico da Faculdade de Farmácia – Faculdade de Farmácia

Casa da Ciência – Fórum de Ciência e Cultura

Espaço COPPE Miguel de Simoni – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE)

Espaço Memória, Arte e Sociedade Jesse Jane Vieira de Souza (Espaço JJ) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH)

Museu D. João VI (EBA) – Escola de Belas Artes

Museu da Anatomia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-CCS) – Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-CCS)

Museu da Computação e Memória do Núcleo de Computação Eletrônica (NCE) – Instituto Tércio Pacitti de Aplicações e Pesquisas Computacionais (NCE – ITPAPC)

Museu da Escola Politécnica (POLI) – Escola Politécnica (CT)

Museu da Geodiversidade – Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN)

Museu da Psiquiatria – Instituto de Psiquiatria (IPUB)

Museu da Química Professor Athos da Silveira Ramos – Instituto de Química (IQ)

Museu e Centro de Documentação da Escola de Enfermagem Anna Nery (CDEEAN) – Escola de Enfermagem Anna Nery

Museu e Espaço Memorial Carlos Chagas Filho (EMCCF) – Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF)

Museu Instrumental Delgado de Carvalho – Escola de Música (EM)

Museu Interativo da Física (LADIF) – Instituto de Física

Museu Itinerante de Neurociências (MIN) – Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociências

Museu Nacional – Fórum de Ciência e Cultura (FCC)

Museu Virtual da Faculdade de Medicina – Centro de Ciências da Saúde (CCS)

Museu Virtual do Observatório do Valongo – Observatório do Valongo (OV)

 

Bibliotecas

 

Biblioteca Alberto Nepomuceno – Escola de Música (EM)

Biblioteca Aloisio Teixeira – Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Socioambiental de Macaé (NUPEM)

Biblioteca Asdrubal Costa – Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG)

Biblioteca Carvalho de Mendonça – Faculdade Nacional de Direito (FND)

Biblioteca Central do Centro de Ciências da Saúde (CCS)

Biblioteca Central do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) 

Biblioteca Central do Centro Multidisciplinar UFRJ-Macaé

Biblioteca Central do Centro de Tecnologia (CT)

Biblioteca da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN)

Biblioteca da Faculdade de Farmácia – Faculdade de Farmácia

Biblioteca de Obras Raras da Escola de Belas Artes (EBAOR) – Escola de Belas Artes (EBA)

Biblioteca de Obras Raras do Centro de Tecnologia – BORCT 

Biblioteca de Recursos Instrucionais do Núcleo de Tecnologia Educacional para Saúde (NUTES)

Biblioteca Digital da Escola de Música – Escola de Música (EM)

Biblioteca Digital de Obras Raras – BDOR

Biblioteca do Campus Duque de Caxias (CDC) – Campus Duque de Caxias (CDC)

Biblioteca do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH)

Biblioteca do Colégio de Aplicação da UFRJ (CAp UFRJ)

Biblioteca do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HU) – Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HU)

Biblioteca do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva – Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC)

Biblioteca do Instituto de Ginecologia – Instituto de Ginecologia

Biblioteca do Instituto de Neurologia Deolindo Couto

Biblioteca do Museu Nacional (MN)

Biblioteca do Núcleo de Computação Eletrônica (NCE) – Instituto Tércio Pacitti de Aplicações e Pesquisas Computacionais (ITPAPC)

Biblioteca Eugênio Gudin – Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE)

Biblioteca Francisca Keller – Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS)

Biblioteca Integrada EBA, FAU e IPPUR [Biblioteca Alfredo Galvão – Escola de Belas Artes (EBA) / Biblioteca Lúcio Costa – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) / Biblioteca do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR)]

Biblioteca João Ferreira da Silva Filho – Instituto de Psiquiatria

Biblioteca Jorge de Rezende da Maternidade Escola 

Biblioteca José de Alencar da Faculdade de Letras (FL)

Biblioteca Marina São Paulo de Vasconcellos – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) 

Biblioteca Paulo Geyer da Escola de Química (EQ)

Biblioteca Pedro Calmon (BPC) – Fórum de Ciência e Cultura (FCC)

Biblioteca Plínio Sussekind Rocha – Instituto de Física (IF)

Biblioteca Professor Carlos Alberto Hemais – Instituto de Macromoléculas Eloísa Mano (IMA)

Biblioteca Professor Agrícola Bethlem – Instituto COPPEAD de Administração

Biblioteca Professor Jorge de Abreu Coutinho – Instituto de Química – IQ

Biblioteca Professor Leopoldo Nachbin – Instituto de Matemática

Biblioteca Professor Maurício de Almeida Abreu – Programa de Pós-graduação em Geografia da UFRJ (PPGG)

Biblioteca Professor Paulo de Góes – Instituto de Microbiologia

Biblioteca Professor Sílio Vaz – Observatório do Valongo (OV)

Biblioteca Professor Dirceu de Alencar Velloso – Programa de Engenharia Civil – COPPE

Bilioteca de Xistoquímica (XISTO) – Polo de Xistoquímica Professor Claudio Costa Neto (PXQ)

Central de Memória Acadêmica (CMA) – Central de Memória Acadêmica (CMA)

 

Arquivos Históricos

 

Atas do Consuni – Reitoria/SIARQ

Acervo do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) – Faculdade de Letras

Arquivo da Memória Operária do Rio de Janeiro (AMORJ) – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS)

Arquivo do Escritório Técnico da Universidade (ETU) – Arquivo do Escritório Técnico da Universidade (ETU)

Arquivo Histórico do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO) – Faculdade Nacional do Direito (FND)

Centro de Memória Inezil Penna Marinho – Escola de Educação Física e Desportos (EEFD)

Centro de Memória, Documentação e Arquivo da Escola de Serviço Social  – Escola de Serviço Social (ESS)

Imagens da UFRJ – Coordenadoria de Comunicação Social

Memória do Centro de Ciências da Saúde (Memória CCS) – Centro de Ciências da Saúde (CCS)

Memória do Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo (GPTEC) – Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos (NEPP-DH)

Núcleo de Pesquisas e Documentação da FAU (NPD) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU)

Programa de Estudos e Documentação Educação e Sociedade (PROEDES) – Faculdade de Educação (FE)

Programa de Memória dos Movimentos Sociais (MEMOV / FCC) – Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE)

 

 

 

 

11º Seminário Memória, Documentação e Pesquisa

     

        Celebrando os dez anos de criação da Divisão de Memória Institucional do  Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ realizamos o 11º Seminário Memória, Documentação e Pesquisa sobre a temática Memória Institucional e História Pública, nos dias 15 e 16 de setembro de 2021. Em virtude do contexto de isolamento social ocasionado pela pandemia de COVID19 pela primeira vez em sua história o Seminário, que existe desde 2007, foi realizado de forma virtual e transmitido pelo canal do Youtube do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.

 

 

Cartaz 11 Seminário Memória 2021 versão 1

 

 

11º Seminário Memória, Documentação e Pesquisa

Memória Institucional e História Pública

15 e 16 de setembro de 2021

 

 

Programação

15 de setembro

Abertura (15h às 15h20)

Carlos Frederico Leão Rocha (Vice-Reitor da UFRJ)

Tatiana Roque (coordenadora FCC/UFRJ)

Paula Mello (coordenadora SIBI/UFRJ)

Andréa Queiroz (diretora DMI/SIBI/UFRJ)

 

Diálogos sobre Memória Institucional e Patrimônio Universitário

(15h20 às 17h)

Antônio Oliveira (CBG/FACC/UFRJ)

Andréa Borde (FAU/UFRJ)

Andréa Queiroz (DMI/SIBI/UFRJ)

Mediação: Juliano Camargo (DMI/SIBI/UFRJ)

 

Link de acesso às palestras do primero dia de Seminário

 

16 de setembro

Diálogos sobre História Pública e Universidade (15h às 17h)

Marta Rovai (UNIFAL)

Tatyana Maia (PUCRS)

Leonardo Fetter (PUCRS)

Paulo César Gomes (UFF)

Mediação: Andréa Queiroz (DMI/SIBI/UFRJ)

 

Link de acesso às palestras do segundo dia de Seminário

 

Informações:

Evento online transmitido pelo canal do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ no Youtube.

 

 

A Universidade e os anos 1970

 

Professores cassados reunidos no CT Acervo da ADUFRJ

 

 

A Universidade e os anos 1970

 

Andréa Cristina de Barros Queiroz*

 

A década de 1970 teve seu início sob o impacto do aumento da repressão militar sobre a sociedade brasileira, reflexo da decretação do Ato Institucional n.5, de 13 de dezembro de 1968, e do Decreto Lei n.477, de 26 de fevereiro de 1969, que contribuíram para promover um grande esvaziamento científico, intelectual, político e cultural nas universidades brasileiras, com a interrupção de diversos projetos e pesquisas por conta das expulsões de docentes, técnicos e estudantes das instituições de ensino e pesquisa em todo país, acusados de subversivos pela ditadura civil-militar. Tais instrumentos legais serviram para legitimar a perseguição e expulsão do corpo social das Universidades e Institutos de Pesquisa.

A UFRJ começou o ano de 1970 com cerca de 44 professores cassados, a sua maioria enquadrados pelo AI-5, e diversos estudantes expulsos pelo Decreto Lei n.477. Para os governos militares manterem o patrulhamento e o controle sobre o corpo social da Universidade foi importante a atuação de parte da comunidade acadêmica que não somente colaborou com o regime autoritário, delatando seus colegas de trabalhos e alunos, mas se beneficiou com cargos de gestão na administração pública, como foi analisado no texto sobre a década de 1960, com destaque para o professor Eremildo Luiz Vianna, ex-diretor da Faculdade Nacional Filosofia (1957-1963) e do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, durante quase todo o período da ditadura.

Devemos ressaltar que além da colaboração de parte da comunidade acadêmica, a estruturação desse aparato autoritário e coercitivo dentro das Universidades se consolidou, em 1971, com a criação de um organismo específico para monitorar, vigiar e levantar informações dentro de cada instituição de ensino superior. Eram as Assessorias Especiais de Segurança e Informação (AESIs). A sala da AESI na UFRJ funcionava ao lado do gabinete da reitoria, na Cidade Universitária. Destacamos que durante a ditadura civil-militar (1964-1985), a gestão da Universidade foi comandada pelos seguintes reitores: Pedro Calmon Moniz de Bittencourt (1951-1966); Raymundo Augusto de Castro Moniz de Aragão (1966-1969); Clementino Fraga Filho (outubro/1966-março/1967); Djacir Lima Menezes  (1969-1973); Hélio Fraga (1973-1977); Luiz Renato Carneiro da Silva Caldas (1977-1981); Adolpho Polillo (1981-1985).

 

Sobre a relação de apoio e colaboração com a ditadura, cabe ressaltar que o reitor Moniz de Aragão foi um dos grandes defensores e idealizadores da reforma universitária de 1968. Além disso, foi Ministro da Educação e Cultura interino de 30 de junho a 04 de outubro de 1966. Ele também contribuiu para a criação do Conselho Federal de Cultura. Portanto, a fim de propagar os ideais da cultura política autoritária do regime, havia a necessidade de assegurar, por meio da educação e da cultura, os conteúdos de civismo a serem disseminados na Universidade, especialmente com a disciplina de Estudos de Problemas Brasileiros (EPB). Como destacou Tatyana Maia (2014, p.55), entre 1971 e 1980, através do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da UFRJ, foi organizado o “Curso de atualização sobre problemas brasileiros”, proposto pelo reitor Pedro Calmon como solução provisória à inexistência de um curso superior de EPB. O curso foi organizado em conferências temáticas, editadas pela UFRJ na publicação Cadernos de Estudos Brasileiros, sob o comando de Moniz de Aragão. Entre os principais conferencistas do curso estavam os três reitores da Universidade que também eram conselheiros no CFC: Moniz de Aragão, Djacir Menezes e Pedro Calmon. Salientamos que o acervo referente à documentação dessas conferências encontra-se na Biblioteca Pedro Calmon do Fórum de Ciência e Cultura integrada ao Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ, no campus da Praia Vermelha.

 

Com base nestas evidências podemos perceber que personagens importantes da comunidade acadêmica da Universidade participaram, negociaram e colaboraram com o regime autoritário. Se houve oposição e resistência, de um lado, sobretudo, com o movimento estudantil e com os movimentos sociais liderados por servidores (técnicos e docentes) para o retorno dos expulsos da Universidade no pós-1979 com a Anistia; também houve colaboração e negociação com a ditadura, do outro, especialmente por parte dos dirigentes da instituição e da parcela conservadora dos docentes e técnicos que apoiavam o regime autoritário. Assim, nos deparamos com uma das seletividades da memória dentro da Universidade, pois durante muito tempo houve um esquecimento que parte da comunidade acadêmica colaborou com o regime, e no bojo da Anistia no pós-1979 e com a redemocratização se consagrou uma narrativa de reconciliação com o passado, como se na Universidade, grosso modo, todos se empenharam na luta pela redemocratização. (QUEIROZ, 2021, p.187-188)

Foi na gestão do reitor Djacir Menezes que personalidades políticas da ditadura foram agraciadas com o título de Doutor Honoris Causa, como o general presidente Emilio Garrastazu Medici (1969-1974) e o seu ministro da Educação Jarbas Passarinho. Lembramos que foi na gestão de Médici que as obras da Cidade Universitária foram retomadas e reinauguradas, após várias interrupções em virtude de diversas crises financeiras e políticas quando o Rio de Janeiro deixou de ser a capital federal. Vale destacar que a Cidade Universitária foi inaugurada, em 1953, no governo de Getúlio Vargas (como foi analisado no texto sobre a Universidade e os anos 1950), mas se disseminou de forma intencional na memória de quem apoiou o governo que a Cidade Universidade foi um projeto da ditadura civil-militar. (QUEIROZ, 2021).

Seja como for, se houve colaboração com a ditadura entre alguns grupos conservadores dentro da Universidade, também houve entre o corpo social aqueles que resistiram e se oposuram ao regime autoritário, além do Movimento Estudantil, destacamos a incipiente organização sindical dos servidores, desempenhando um importante papel para a campanha de retorno dos expurgados de volta à Universidade. Em 26 de junho de 1979, a Associação de Docentes da UFRJ (AdUFRJ) realizou uma cerimônia simbólica para reintegrar os professores cassados e, no final de 1979, após a Lei de Anistia (lei n° 6.683, de 26 de agosto de 1979), a Universidade promoveu a reintegração efetiva dos professores.

Não podíamos terminar este texto sem fazer a lista de presença dos professores cassados da UFRJ pela ditadura civil-militar (QUEIROZ, 2018, p.16):

  1. Abelardo Zaluar
  2. Alberto Coelho de Souza
  3. Álvaro Borges Vieira Pinto
  4. Alvércio Moreira Gomes
  5. Antonio Cláudio Leonardo Pereira Sochaczewski
  6. Aryma Cavalcanti da Costa Santos
  7. Augusto Araújo Lopes Zamith
  8. Carlos Nelson Coutinho
  9. Darcy Ribeiro
  10. Durmeval Trigueiro Mendes
  11. Elisa Esther Frota Pessoa
  12. Eulália Maria Lahamayer Lobo
  13. Evaristo de Moraes Filho
  14. Fernando Braga Ubatuba
  15. Francisco Mangabeira
  16. Guy José Paulo de Holanda
  17. Heleno Cláudio Fragoso
  18. Hermes Lima
  19. Hugo Regis dos Reis
  20. Hugo Weiss
  21. Jayme Tiomno
  22. João Cristóvão Cardoso
  23. José Américo da Mota Pessanha
  24. José de Lima Siqueira
  25. José Leite Lopes
  26. José Stamato
  27. Josué Apolônio de Castro
  28. Lincoln Bicalho Roque
  29. Luiz Gonzaga de Paiva Muniz
  30. Manoel Isnard de Souza Teixeira
  31. Manoel Maurício de Albuquerque
  32. Maria Laura Mouzinho Leite Lopes
  33. Maria Yedda Leite Linhares
  34. Mário Antonio Barata
  35. Marina São Paulo de Vasconcellos
  36. Max da Costa Santos
  37. Moema Eulália de Oliveira Toscano
  38. Oswaldo Herbster de Gusmão
  39. Plínio Sussekind da Rocha
  40. Quirino Campofiorito da Rocha
  41. Roberto Pompeu de Souza Brasil
  42. Sarah de Castro Barbosa
  43. Victor Nunes Leal
  44. Wanderley Guilherme dos Santos

 

*Historiadora da UFRJ; Doutora em História Social (UFRJ); e Diretora da Divisão de Memória Institucional/SIBI/UFRJ.

 

Como citar este artigo:

QUEIROZ, Andréa Cristina de Barros. A Universidade e os anos 1970. Rio de Janeiro: UFRJ/SiBI/DMI, 2020. Projeto UFRJ em décadas. Disponível em: endereço eletrônico do documento. Acesso em: data da pesquisa.

 

Referências

MAIA, Tatyana de Amaral. Os intelectuais no Ministério da Educação e Cultura em tempos autoritários (1966-1982). In: CORDEIRO, Janaína et al (org.). À sombra das ditaduras: Brasil e América Latina. Rio de Janeiro: Mauad, 2014, p.51-65.

QUEIROZ, Andréa Cristina de Barros. A memória institucional e os impactos da repressão na UFRJ (1964-1985). Anais do Encontro Internacional e XVIII Encontro de História da Anpuh-Rio: História e Parcerias. Niterói: UFF, 2018. Disponível em: https://www.encontro2018.rj.anpuh.org/resources/anais/8/1529704709_ARQUIVO_TextoANPUH-RIO-AndreaQueiroz.pdf. Acesso: 18 jun. 2021.

QUEIROZ, Andréa Cristina de Barros Queiroz. As memórias em disputa sobre a ditadura civil-militar na UFRJ: lugares de memória, sujeitos e comemorações. Tempo. Niterói: PPGH/UFF, v. 27 n. 1, p. 184-203, jan./abr. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tem/a/4C4LQnGsWBPdGtfBSt6GfNg/?lang=pt. Acesso: 18 jun. 2021.

 

Fontes

Imagem 1 – Professores cassados retonam para UFRJ, Auditório do CT, 1979.  Acervo ADUFRJ.

Imagem 2 – A Universidade no Sesquicentenário da Independência, 1972. Coleção Memória UFRJ, Biblioteca Pedro Calmon.

Imagem 3 – Coleção Estudos de Problemas Brasileiros, Biblioteca Pedro Calmon.

Imagem 4 – Médici: chega de palavras (sobre as obras da Cidade Universitária). Correio da Manhã, 21 jan. 1970. Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

Imagem 5 – MEC vai reaver as cassações das Universidades. JB, 23 mai. 1979. Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

Imagem 6 – Placa de inaguração do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, acervo HUCFF.

 

a universidade federal do rio de janeiro no sesquicentenario 01

EPB

Médici chega de palavras Correio da Manhã

JB 23.5.1979 MEC vai reaver as cassações das Universidades

placa de inauguração do HUCCF

 

A Universidade e os anos 1960

AN 000055 DIG

 

 

 

A Universidade e os anos 1960

 

Andréa Cristina de Barros Queiroz*

 

A década de 1960 representou um período de grande efervescência político-cultural e de muitas transformações sociais, científicas e administrativas na vida universitária brasileira, sobretudo, após o golpe de 1964 marcando o início da ditadura civil-militar no país (1964-1985). E no que se refere às universidades houve a consolidação de um projeto moderno-conservador e autoritário para o ensino superior no Brasil.

 

Em 20 de agosto de 1965, a partir da Lei n. 4.759, a antiga Universidade do Brasil (UB) tornou-se Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para Fávero (2007, p. 37), a padronização do nome das instituições universitárias federais ocorreu em virtude do contexto autoritário em que o país vivia. Dessa forma, também reforçou o paradigma centralizador e elitista da instituição, conjugado ao ideal moderno-conservador e autoritário da ditadura, que podem ser observados inclusive na gestão de seus reitores, tais como a reitoria de Raymundo Moniz de Aragão (1966-1969) e de Djacir Lima Menezes (1969-1973) que publicamente se declararam apoiadores do regime ditatorial. Moniz Aragão, por exemplo, foi Ministro da Educação e da Cultura interino de 30 de junho a 04 de outubro de 1966, tendo atuação importante para a implementação da reforma universitária de 1968.

 

Durante a ditadura civil-militar, as universidades tornaram-se foco de atuação do regime autoritário por serem consideradas locais onde as ideias comunistas se propagariam mais facilmente entre os estudantes, os professores e os técnicos, e com essa justificativa o governo manteve um patrulhamento no interior das instituições. Há evidências de que o controle, a vigília e a perseguição política sofrida pela comunidade acadêmica da UB/UFRJ ocorreram antes mesmo do golpe de 1964, realizada pelo corpo social conservador que apoiou a ditadura na instituição, como a perseguição sofrida pelos membros da antiga Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi), com a existência de vários dossiês e Inquéritos Policiais Militares (IPM) contra o seu corpo social.

 

A própria FNFi foi dissolvida e desmembrada pela ditadura a partir de 1968, ano que também marcou o acirramento do regime autoritário com a criação do Ato Institucional n.5 (AI-5) que na UFRJ atuou como um importante instrumento para expulsar, sobretudo, os docentes que foram desligados pela aposentadoria compulsória. Ao todo foram 45 professores expulsos da UFRJ pela ditadura desde o golpe, o que provocou a interrupção de várias pesquisas e projetos. A FNFi também foi o local da Universidade com mais estudantes perseguidos e expurgados logo após 1964 e nos anos subsequentes, especialmente com a criação do Decreto-Lei n. 477, de fevereiro de 1969, notadamente conhecido como o “AI-5 das universidades”. Segundo este mecanismo, professores, estudantes e técnico-administrativos acusados de subversão ao regime seriam punidos com a expulsão da universidade sem o direito de retorno a qualquer outro estabelecimento de ensino por um determinado período.

 

Para a manutenção desse aparato de controle do governo ditatorial sobre a Universidade foi importante o apoio de parcela da comunidade acadêmica que não somente colaborou com o regime autoritário, mas se beneficiou com cargos na gestão da administração pública, como o já mencionado reitor Moniz de Aragão e o professor Eremildo Luiz Vianna, catedrático de História Antiga e Medieval e ex-diretor da FNFi, de 1957 a 1963, e do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), durante quase todo o período da ditadura.

 

o Estado autoritário combinou a violência com estratégias de negociação e acomodação, para aplacar as oposições, reduzir a resistência ao seu poder e para legitimar as suas ações. Tais estratégias foram particularmente visíveis na relação do Estado com as elites intelectuais, em particular profissionais acadêmicos e produtores culturais. (MOTTA, 2014, p. 26)

 

Segundo Motta (2014, p. 15), a reforma universitária de 1968 combinou o viés modernizador a intentos autoritários e conservadores, assim representada por um lado: a racionalização de recursos; a busca de eficiência; a expansão de vagas; o reforço da iniciativa privada; a organização da carreira docente; a criação de departamentos em substituição ao sistema de cátedras; o fomento à pesquisa e à pós-graduação; e por outro: houve a censura e a repressão às ideias de esquerda; o controle e a subjugação do movimento estudantil; a criação de Agências de Informação para vigiar a comunidade acadêmica (ASIS e AESIS); a censura à pesquisa, à publicação e à circulação de livros; tentativas de disseminar valores tradicionais caros ao regime através de técnicas de propaganda (murais e panfletos) e a criação de disciplinas dedicadas ao ensino de moral e civismo, que nas universidades eram chamadas de Estudos de Problemas Brasileiros (EPB).

 

Outra marca da ditadura e do autoritarismo do governo sobre a UFRJ refere-se à invasão, por forças policiais, da Faculdade Nacional de Medicina (FNM), na Praia Vermelha, em 1966, e à demolição do seu prédio histórico, em 1975 (que será analisada no próximo texto). Essa invasão ficou conhecida, sobretudo pelas manchetes dos jornais, como “massacre da Praia Vermelha”, ocorrido na madrugada do dia 22 para o dia 23 de setembro de 1966, deixando cerca de seiscentos estudantes feridos. Na véspera do massacre, vários universitários do país saíram às ruas em passeata pelo Dia Nacional de Luta Contra a Ditadura convocada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) para protestarem contra a cobrança de anuidades nas universidades públicas, contra o projeto de reforma universitária inspirado pelo governo dos Estados Unidos e contra a ditadura que se institucionalizava no país. A passeata foi duramente reprimida pela polícia militar e os estudantes se refugiaram no prédio da FNM, que foi cercado pelas tropas. De acordo com o reitor Aloísio Teixeira (2007-2011), que era estudante universitário do curso de Economia da UFRJ naquela época e participou do protesto em 1966,

 

estávamos na faculdade e a polícia cercou o prédio. Combinamos que ninguém sairia enquanto eles não fossem embora, mas de madrugada a polícia invadiu a faculdade e agrediu todo mundo. As pessoas começaram a subir as escadas correndo até o terceiro andar, mas quando chegamos lá em cima não tinha mais para onde ir. A polícia então formou um corredor polonês do terceiro andar até o térreo e tivemos que descer embaixo de cacetada (Brito, 2006).

 

Esse foi considerado o primeiro grande confronto entre estudantes e as forças de repressão do governo pós-1964, retomado depois com as grandes passeatas de 1968. Inclusive, no ano de 1968 houve outra invasão à UFRJ, dessa vez no Teatro de Arena Carvalho Neto, localizado no Palácio Universitário da Praia Vermelha, onde os estudantes estavam reunidos em assembleia, e a repressão policial militar além de espancar, prendeu vários estudantes no campo de futebol do Botafogo, situado próximo ao campus.

 

Existem teses e dissertações defendidas nos Programas de Pós-graduação da UFRJ que analisam a relação da ditadura civil-militar com a Universidade, a trajetória de alguns personagens envolvidos neste processo e o movimento estudantil neste contexto. Para conhecerem mais sobre esta temática visitem o repositório institucional: Pantheon (https://pantheon.ufrj.br).

 

*Historiadora da UFRJ; Doutora em História Social (UFRJ); e Diretora da Divisão de Memória Institucional/SIBI/UFRJ.

 

Como citar este artigo:

QUEIROZ, Andréa Cristina de Barros. A Universidade e os anos 1960. Rio de Janeiro: UFRJ/SiBI/DMI, 2020. Projeto UFRJ em décadas. Disponível em: endereço eletrônico do documento. Acesso em: data da pesquisa.

 

Referências

30 ANOS da invasão. Jornal do Cremerj (Rio de Janeiro). 22 set. 1996. (encarte especial).

EREMILDO Vianna nega que tenha cometido crime em sua carreira. Jornal do Brasil (Rio de Janeiro). 1º Caderno, 6 abr. 1978, p.17.

FÁVERO, Maria de Lourdes. Universidade do Brasil: das origens à construção. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2010.

FERREIRA, Marieta de Moraes. A História como ofício: a construção de um campo disciplinar. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2013.

FREITAS, Adriana da Silva. Repressão aos estudantes da UFRJ no cenário ditatorial. 2014. Dissertação (Mestrado em Serviço Social), Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2014.

MOTTA, Rodrigo Patto Sá. As universidades e o regime militar: cultura política brasileira e modernização autoritária. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.

PEREIRA, Ludmila Gama. O historiador e o agente da História: os embates políticos travados no curso de História da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (1959-1969). Dissertação (Mestrado em História), Universidade Federal Fluminense. Niterói, 2010.

QUEIROZ, Andréa Cristina de Barros. A UFRJ e a sua modernização conservadora durante a ditadura civil-militar (1964-1985).  Anais do XXIX Simpósio Nacional de História – Contra os Preconceitos: História e Democracia. Brasília: UnB, 2017.

________. A memória institucional e os impactos da repressão na UFRJ (1964-1985). Anais do Encontro Internacional e XVIII Encontro de História da Anpuh-Rio: História e Parcerias. Niterói: UFF, 2018. 

 

Fontes

Imagem 1 – Tropas de policiais militares chegam à Avenida Pasteur, Praia Vermelha e passam em frente ao Palácio Universitário. Arquivo Nacional / Fundo Correio da Manhã. Fotógrafo: França. Data: 22/09/1966.

Imagem 2 – Estudante colocando cartaz em protesto contra a ocupação de policiais na Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi). Banco de Imagens da UFRJ / Cooordcom. Fotógrafo: Odyr Amorim. Data: 17/09/1966

Imagem 3 – Estudante e policiais observam mural de notícias em prédio na Cidade Universitária na Ilha do Fundão. Arquivo Nacional / Fundo Correio da Manhã. Fotógrafo: F. Milton. Data: 09/09/1966.

Imagem 4 – Estudantes em Passeata na Ilha do Fundão. Arquivo Nacional / Fundo Correio da Manhã. Data: 09/09/1966.

Imagem 5 – Estudantes realizam passeata no centro da cidade. Em destaque a aluna da Escola Nacional de Educação Física e Desporto (ENEFD) com cartaz de protesto. Arquivo Nacional / Fundo Correio da Manhã. Fotógrafo: F. Milton. Data:  09/06/1967.

Imagem 6 – Tropas de policiais militares se encaminhando para o Palácio Universitário, na Avenida Pasteur, Praia Vermelha. Arquivo Nacional / Fundo Correio da Manhã. Fotógrafo: França. Data: 22/09/1966.

Imagem 7 – Estudantes observam, através da janela da Faculdade Nacional de Direito (FND), os soldados da polícia do Exército na frente do prédio.  Arquivo Nacional / Fundo Correio da Manhã. Fotógrafo: F. Marinho. Data: 14/01/1969.

 

JB 000048 DIG AN 000075 DIG AN 000006 DIG

 

 

AN 000028 DIG  AN 000068 DIG AN 000041 DIG

A Universidade e os anos 1950

 

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A Universidade e os anos 1950

 

Andréa Cristina de Barros Queiroz*

 

A década de 1950 está atrelada ao ideal de modernização, desenvolvimentismo e industrialização do país e neste contexto que se insere o crescimento e a reestruturação da Universidade do Brasil (UB). As diversas transformações da sociedade, da cultura e da economia encontravam respaldo nas produções científicas das universidades brasileiras.

Foi exatamente nessa atmosfera que houve a institucionalização e a diversificação das pesquisas produzidas na Universidade do Brasil, não se restringindo apenas em torno de professores catedráticos como nas décadas anteriores. Em 1951, a criação de duas instituições foi importante para a efetiva institucionalização da pesquisa nas universidades: o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Elas contribuíram para o desenvolvimento de pesquisas científicas e tecnológicas em várias unidades da UB; para o incentivo à criação de núcleos de pesquisa como também o fomento de bolsas de pesquisas para professores e pesquisadores; e por fim, sobretudo com a CAPES assegurou “a existência de pessoal especializado em quantidade e qualidade suficientes para atender às necessidades dos empreendimentos públicos e privados que visassem o desenvolvimento econômico e social do país” (FÁVERO, 2010, p.75).

Por falar em desenvolvimento e modernização, foi na década de 1950 que a Universidade do Brasil inaugurou o primeiro prédio de sua Cidade Universitária, após várias discussões entre o governo e os membros da Comissão de Professores, Arquitetos e Engenheiros que definiram onde ela seria erguida. Lembramos que desde a década de 1930, durante a ditadura do Estado Novo, Getúlio Vargas e o Ministro da Educação e Saúde Gustavo Capanema junto com a mencionada Comissão debatiam sobre a criação da Cidade Universitária, mas somente, em 1945, que decidiram o local onde a mesma seria erguida. Assim, “após mais de uma década de discussões, chegou-se à conclusão de que, antes de se construir os prédios da Cidade Universitária, deveria ela mesma ser construída através de uma gigantesca obra de engenharia” (BARBOSA, 2013, p.16). Dessa maneira, foi aterrado o arquipélago composto de nove ilhas (Catalão, Baiacu, Cabras, Fundão, Pindaí do França, Pindaí do Ferreira, Bom Jesus, Sapucaia e Pinheiros) nas proximidades de Manguinhos, da Avenida Brasil e da ponte de acesso à Ilha do Governador para formar a Ilha do Fundão. Em 1951, começaram as obras de instalação do futuro prédio do Instituto de Puericultura com a equipe de engenheiros e arquitetos do Escritório Técnico da Universidade do Brasil (ETUB). Portanto, em 01 de outubro de 1953, ao inaugurar simbolicamente a Cidade Universitária, através de seu Instituto de Puericultura e Pediatria, “Vargas pretendia tornar concreto o sonho de materializar as condições necessárias à modernização da Universidade do Brasil” (OLIVEIRA, 2013, p.17).

Ao lado do então Reitor Pedro Calmon e do médico e professor Joaquim Martagão Gesteira (convidado pelo presidente para assumir a direção do Instituto), em seu discurso de inauguração destacou Getúlio Vargas: “nesse recanto tranquilo da Guanabara destinado a abrigar os labores da inteligência e do saber, vemos hoje concretizar-se, na inauguração do primeiro edifício da futura Cidade Universitária, um anseio da cultura nacional a que procurei dar realidade. […] meu governo tomou as providências iniciais para levantar aqui o mais importante centro educacional do país. […] Obra de grande vulto e longo alcance, muitos descreram de suas possibilidades. […[ Era preciso promover condições materiais para que mestres e estudantes viessem encontrar, no convívio de todos os dias, a verdadeira atmosfera da vida universitária”. (Jornal Diário de Notícias, de 02/10/1953).

O projeto arquitetônico e urbanístico do Instituto de Puericultura e Pediatria tem a assinatura modernista do arquiteto-chefe do ETUB Jorge Machado Moreira e do paisagista Roberto Burle Marx. Com este projeto, a dupla foi premiada na II Bienal de Arquitetura do Estado de São Paulo, em 1953. Para Jorge Machado Moreira (Apud. JARDIM, 2013, p.29), “fazer arquitetura é idealizar a obra visando resolver, com intenção plástica, o problema proposto, de acordo com a época, os materiais e as possibilidades técnicas; analisando e considerando os fatores externos que nela influem; respeitando imposições e hábitos do meio; detalhando e articulando todos os elementos e buscando sempre a verdade, quanto à sua finalidade e função, tanto na forma como no uso dos materiais”.

Para Lúcia Costa (2013, p.39), “o Instituto de Puericultura da UFRJ é parte importante do legado erudito de Burle Marx. Este conjunto arquitetônico e paisagístico incorpora valores culturais, estéticos e botânicos que destacaram internacionalmente profissionais brasileiros. A UFRJ é portanto guardiã de um patrimônio que pertence à cultura brasileira, e desta forma não devemos poupar esforços para o enriquecimento e irradiação deste patrimônio”.

É importante ressaltar que durante alguns anos o Instituto de Puericultura foi a única unidade da UB a funcionar na Cidade Universitária. Seja como for, podemos dizer que a Cidade Universitária da atual Universidade Federal do Rio de Janeiro constitui-se como um patrimônio memorialístico e cultural do legado da arquitetura universitária moderna brasileira, além do prédio do IPPMG, Jorge Machado Moreira e Burle Marx receberam também o prêmio arquitetônico e paisagístico pelo projeto do prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Escola de Belas Artes da UB (que também abriga a Reitoria), na Bienal de Arquitetura de São Paulo de 1957.

 

*Historiadora da UFRJ; Doutora em História Social (UFRJ); e Diretora da Divisão de Memória Institucional/SIBI/UFRJ.

 

Como citar este artigo:

QUEIROZ, Andréa Cristina de Barros. A Universidade e os anos 1950. Rio de Janeiro: UFRJ/SiBI/DMI, 2020. Projeto UFRJ em décadas. Disponível em: endereço eletrônico do documento. Acesso em: data da pesquisa.

 

Referências

COSTA, Lúcia M. Os jardins de Roberto Burle Marx para o Instituto de Puericultura da UFRJ. In: AYRES, Leon. Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira: 60 Anos. Rio de Janeiro: IPPMG/UFRJ, 2013, p.38-40.

FÁVERO, Maria de Lourdes. Universidade do Brasil: das origens à construção. 2ª ed. Rio de Janeiro: UFRJ, 2010.

FERREIRA, Marieta de Moraes. A História como ofício: a construção de um campo disciplinar. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2013.

JARDIM, Paulo. O Arquiteto e a Arquitetura do IPPMG. In: AYRES, Leon. Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira: 60 Anos. Rio de Janeiro: IPPMG/UFRJ, 2013, p.28-36.

OLIVEIRA, Antônio José B. O Instituto de Puericultura e a Cidade Universitária. In: AYRES, Leon. Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira: 60 Anos. Rio de Janeiro: IPPMG/UFRJ, 2013, p.14-17.

Fontes

Foto 1 – Construção da Cidade Universitária, início das obras, 1951. (Núcleo de Documentação e Pesquisa/FAU/UFRJ)

Foto 2 – Arquipélago onde será construída a Cidade Universitária, 1945. (Núcleo de Documentação e Pesquisa/FAU/UFRJ)

Foto 3 – Discurso do Presidente Getúlio Vargas na inauguração do IPPMG, 1953. (Biblioteca Pedro Calmon/SIBI/UFRJ)

Foto 4 – Sequência de fotos do IPPMG, 1953. (Núcleo de Documentação e Pesquisa/FAU/UFRJ)

 

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