A Noite – 29 de maio de 1961

Cidade Universitária continua crescendo sobre as Nove Ilhas

Dez anos pulando de Ponto em Ponto, Procurando Local Para a Cidade Universitária – Mesmo Com Placentini e Lê Corbusier, Tudo Voltou à Estaca Zero – Afinal , Nove Ilhas formam Uma Ilha Universitária – 0 Que já foi Feito e o Que Resta fazer Para se Completar a Mais Moderna Universidade do Mundo – Padrão máximo em Dez Setores

Pensou-se até em aterrar a Lagoa Rodrigo de Freitas para dar lugar à discutida localização da Cidade Universitária. Durante 10 anos gastou-se muito tempo e muito dinheiro, localizando e transferindo, no papelório dos planos e projetos os pontos escolhidos para a grande obra. Praia Vermelha, Leblon, Gávea, Quinta da Boa Vista, Esplanada do Castelo, Marechal Hermes, Deodoro, Fazenda dos Afonsos, Morro da Viúva, Vila Valqueire, e até Niterói e Petrópolis, além da Lagoa aterrada, passaram pela cogitação das numerosas comissões encarregadas do assunto. Até um ilustre catedrático da Universidade de Roma, professor Marcelo Placentini, foi convidado para dar o seu “palpite”. Veio ao Rio e optou pela Quinta da Boa Vista. Resolvido o problema, pensou-se no plano. Prevaleceu de novo a idéia de se consultar os “cobras” do exterior. Desta vez, também a convite, veio o maior de todos: Le Corbusier, o “super” em arquitetura moderna e funcional. Os nossos arquitetos, todavia, igualmente credenciados em todo o mundo, não gostaram das avançadas concepções “lecorbusianas” e tudo o que se havia feito em tôrno da Cidade Universitária, inclusive localização, voltou à estaca zero. Nem mesmo a Vila Valqueire, que já fora fixada como ponto adequado para a construção da “cidade”, conseguiu escapar da varredura burocrática que pôs de lado tudo quanto se havia feito de prático e teórico no planejamento do notável empreendimento. E, para começar tudo de novo, criou-se em 1944 uma nova comissão, chefiada pelo engenheiro Luiz Hildebrando de Barros Horta Barbosa.

A ilha universitária

O problema da localização foi então superado e posto em equação norteado pelo propósito, que até aí não se cogitara, de colocar a Cidade Universitária ao alcance fácil e econômico da generosidade dos estudantes. Poucos dispunham de automóvel ou de sobras de dinheiro para transportes diários a longa distância. Além disso, o tempo que perdiam em viagem era roubado dos estudos. E, como resultado da soma de todos estes fatores a Cidade Universitária , aí está, construída numa ilha, perto do centro urbano e que, por sua vez, foi preparado para recebê-la. A Ilha Universitária do Estado da Guanabara, foi feita com a incorporação de nove outras que se espalhavam pela baia, entre a Ponta do Caju e a Ilha do Governador. Todas elas, a do Fundão, Baiacu, Cabras, Pindaí do Ferreira, Pindaí do França, Bom Jesus, Catalão, Pinheiro e Sapucaia, foram absorvidas pela Ilha Universitária, que compreende uma superfície de cinco milhões e seiscentos mil metros quadrados. Será nessa Ilha, agora construída em ritmo acelerado, a Cidade Universitária. Vamos visitá-la e saber o que já foi feito e o que resta fazer para que a “cidade” fique pronta.

 

Padrão máximo em dez setores

Há uma ponte ligando a ilha do saber e da cultura ao continente. E mais outra, em construção, num ponto fronteiro ao Instituto de Manguinhos. Quem passa ao largo não avalia, de modo algum, a importância da grande obra, atualmente posta sob a direção do engenheiro Lucílio Briggs. A reportagem de A NOITE, durante várias horas, percorreu a Cidade Universitária, tendo por cicerone o Sr. Arlindo Araújo Gomes , posto à nossa disposição pelo Escritório Técnico. Vários quilômetros de avenidas asfaltadas facilitaram o nosso turismo pela cidade. Aliás, todos os dias há turistas, principalmente estrangeiros, percorrendo a obra. E todos se retiram maravilhados. Na hora das comparações, afirmam que não há, em todo mundo, um núcleo universitário tão completo e moderno e que incorpore na sua concepção as últimas conquistas da moderna pedagogia do Ensino Superior.

Realmente, pelos dados que nos foram fornecidos, concluímos que a Cidade Universitária enfeixará o padrão máximo em todos os dez setores da sua divisão pedagógica, que são os seguintes: primeiro – Reitoria, Biblioteca, Museu e Planetário; segundo – Filosofia, Ciências, Letras e Educação; terceiro – Ciências Sociais, Jurídicas, Políticas, Econômicas e Administrativas; quarto – Medicina, Odontologia, Farmácia e Enfermagem; quinto- Engenharia, Química, Tecnologia. Eletrotécnica e Física Nuclear; sexto – Arquitetura, Urbanismo, Belas Artes, Música e Teatro; sétimo – Educação Física e Desportos. Seguem-se os setores complementares, que são: oitavo – Residencial para professores, estudantes e funcionários; nono – Prefeitura e Serviços Auxiliares e, décimo: Setor Florestal e Zoológico.

Depois de pronta – o que levará ainda alguns anos – a Cidade Universitária, inteiramente edificada, abrigará , uma população de 50 mil pessoas, superior, portanto, à de numerosos municípios do interior. Somente para os diferentes setores do ensino superior, serão construídos 26 edifícios de grande porte. Atualmente, limitados pelas disponibilidades dos recursos, trabalhos em marcha estão sendo concentrados na construção do Hospital de Clínicas , da Faculdade Nacional de Engenharia, Faculdade Nacional de Arquitetura, nova ponte de Manguinhos, nas oficinas gráficas e em obras de urbanização. As ruas, muitas já pavimentadas, serão arborizadas e várias praças terão um ajardinamento adequado. Para esse fim já estão sendo preparadas, nos três hortos, próprios da Cidade Universitária, mais de 50 mil mudas. Eis, em resumo, o que pode ser dito e escrito, para o conhecimento dos leitores, sobre a Cidade Universitária e o seu todo como obra de grande envergadura e, mesmo, de repercussão internacional, dados o estilo e a amplitude do conjunto, que a elevam à categoria das mais modernas e completas do mundo. De todo esse conjunto, uma obra já se encontra pronta, acabada e funcionando: a do Instituto de Puericultura. Outra será inaugurada em julho próximo: a do Hospital de Clínicas e a da Faculdade Nacional de Engenharia. Encontra-se pronto, igualmente, um dos alojamentos de alunos. Essas obras, pela importância dos seus detalhes, serão objeto de uma segunda reportagem de A NOITE sobre a Cidade Universitária.

  

Pesquisado e transcrito por

Antonio José Barbosa de Oliveira
Professor do CBG/UFRJ e colaborador da Divisão de Memória
antoniojosearrobafacc.ufrj.br
 

O Globo – 16 de março de 1959 – (pg.17)

 

“A Cidade Universitária não é obra de fachada”

 

O Engenheiro Horta Barbosa retifica conceitos emitidos pelo Prof. Muniz de Aragão – Soluções Urbanísticas e Arquitetônicas Premiadas em Duas “Bienais” e na Exposição Internacional de Bruxelas.

Esclarecendo o que há de positivo em torno da Cidade Universitária, o Engenheiro Luiz Hildebrando Horta Barbosa, Ex-Chefe do Escritório Técnico daquela Universidade, ora no B.N.D.E., prestou-nos as seguintes declarações:

– Por ocasião da aula Inaugural dos cursos universitários, na Universidade do Brasil, o Prof. Raimundo Muniz de Aragão historiou o surgimento das universidades européias, bem como o seu florescimento nos Estados Unidos e na América Espanhola, em contraste com a sua total ausência no Brasil, não obstante os esforços jesuíticos. Tem razão ao assinalar que a maior deficiência que se recente a Universidade Brasileira, decorre da Inexistência do próprio ambiente universitário .

A ilha universitária

O problema da localização foi então superado e posto em equação norteado pelo propósito, que até aí não se cogitara, de colocar a Cidade Universitária ao alcance fácil e econômico da generosidade dos estudantes. Poucos dispunham de automóvel ou de sobras de dinheiro para transportes diários a longa distância. Além disso, o tempo que perdiam em viagem era roubado dos estudos. E, como resultado da soma de todos estes fatores. A Cidade Universitária , aí está, construída numa ilha, perto do centro urbano e que, por sua vez, foi preparado para recebê-la. A Ilha Universitária do Estado da Guanabara, foi feita com a incorporação de nove outras que se espalhavam pela baia, entre a Ponta do Caju e a Ilha do Governador. Todas elas, a do Fundão, Baiacu, Cabras, Pindaí do Ferreira, Pindaí do França, Bom Jesus, Catalão, Pinheiro e Sapucaia, foram absorvidas pela Ilha Universitária, que compreende uma superfície de cinco milhões e seiscentos mil metros quadrados. Será nessa Ilha, agora construída em ritmo acelerado, a Cidade Universitária. Vamos visitá-la e saber o que já foi feito e o que resta fazer para que a “cidade” fique pronta.

Padrão máximo em dez setores

Há uma ponte ligando a ilha do saber e da cultura ao continente. E mais outra, em construção, num ponto fronteiro ao Instituto de Manguinhos. Quem passa ao largo não avalia, de modo algum, a importância da grande obra, atualmente posta sob a direção do engenheiro Lucílio Briggs. A reportagem de A NOITE, durante várias horas, percorreu a Cidade Universitária, tendo por ciceroni o Sr. Arlindo Araújo Gomes , posto à nossa disposição pelo Escritório Técnico. Vários quilômetros de avenidas asfaltadas facilitaram o nosso turismo pela cidade. Aliás, todos os dias há turistas, principalmente estrangeiros, percorrendo a obra. E todos se retiram maravilhados. Na hora das comparações, afirmam que não há, em todo mundo, um núcleo universitário tão completo e moderno e que incorpore na sua concepção as últimas conquistas da moderna pedagogia do Ensino Superior.

Realmente, pelos dados que nos foram fornecidos, concluímos que a Cidade Universitária enfeixará o padrão máximo em todos os dez setores da sua divisão pedagógica, que são os seguintes: primeiro – Reitoria, Biblioteca, Museu e Planetário; segundo – Filosofia, Ciências, Letras e Educação; terceiro – Ciências Sociais, Jurídicas, Políticas, Econômicas e Administrativas; quarto – Medicina, Odontologia, Farmácia e Enfermagem; quinto- Engenharia, Química, Tecnologia. Eletrotécnica e Física Nuclear; sexto – Arquitetura, Urbanismo, Belas Artes, Música e Teatro; sétimo – Educação Física e Desportos. Seguem-se os setores complementares, que são: oitavo – Residencial para professores, estudantes e funcionários; nono – Prefeitura e Serviços Auxiliares e, décimo: Setor Florestal e Zoológico.

Depois de pronta – o que levará ainda alguns anos – a Cidade Universitária, inteiramente edificada, abrigará , uma população de 50 mil pessoas, superior, portanto, à de numerosos municípios do interior. Somente para os diferentes setores do ensino superior, serão construídos 26 edifícios de grande porte. Atualmente, limitados pelas disponibilidades dos recursos, trabalhos em marcha estão sendo concentrados na construção do Hospital de Clínicas , da Faculdade Nacional de Engenharia, Faculdade Nacional de Arquitetura, nova ponte de Manguinhos, nas oficinas gráficas e em obras de urbanização. As ruas, muitas já pavimentadas, serão arborizadas e várias praças terão um ajardinamento adequado. Para esse fim já estão sendo preparadas, nos três hortos, próprios da Cidade Universitária, mais de 50 mil mudas. Eis, em resumo, o que pode ser dito e escrito, para o conhecimento dos leitores, sobre a Cidade Universitária e o seu todo como obra de grande envergadura e, mesmo, de repercussão internacional, dados o estilo e a amplitude do conjunto, que a elevam à categoria das mais modernas e completas do mundo. De todo esse conjunto, uma obra já se encontra pronta, acabada e funcionando: a do Instituto de Puericultura. Outra será inaugurada em julho próximo: a do Hospital de Clínicas e a da Faculdade Nacional de Engenharia. Encontra-se pronto, igualmente, um dos alojamentos de alunos. Essas obras, pela importância dos seus detalhes, serão objeto de uma segunda reportagem de A NOITE sobre a Cidade Universitária.

  

Pesquisado e transcrito por

Antonio José Barbosa de Oliveira
Professor do CBG/UFRJ e colaborador da Divisão de Memória
antoniojosearrobafacc.ufrj.br
  

Correio da Manhã – 18 de junho de 1958

 

Durante a Aula de Sapiência Estudantes Criticam Política Econômica

 

Estudantes Promoveram Aula Pública nas Escadarias da Câmara dos Deputados

Centenas de estudantes da Capital da República ontem, por volta das 14 horas, às escadarias da Câmara dos Deputados onde a União Metropolitana dos Estudantes fez realizar uma aula pública em que foram abordados vários aspectos das deficiências de instalações das nossas Faculdades, apontando-se finalmente como solução a aprovação de verbas destinadas ao prosseguimento das obras da Cidade Universitária.

Ao final da aula, falaram vários representantes de diretórios acadêmicos. O representante do CACO, da Faculdade Nacional de Direito, fez, naquela ocasião , críticas à política econômica do atual governo, dizendo mesmo que os homens públicos não se interessam pela salvação de nossa economia. O universitário defendeu a tese de que os dirigentes da Nação deveriam, antes de mais nada, cuidar do ensino brasileiro para que os futuros mandatários do país não incidam nos mesmos erros de hoje.

 

Passeata

Os estudantes vieram em passeata, desde de suas faculdades até ao Palácio Tiradentes. Os acadêmicos de engenharia ostentavam uma faixa onde se lia: Aqui (na Câmara) é a sede provisória ( ou definitiva ) da Cidade Universitária. Em outros cartazes lia-se:

Cidade Universitária: sonho de ontem , sonho de hoje, realidade quando? e mais adiante:

Verba para cavalos: 500 milhões; verba para Cidade Universitária: 170 milhões.

também os Cadillacs não escaparam a critica dos estudantes. Vimos um cartaz que dizia:

Srs. Deputados: fiquem com os Cadillacs, mas terminem a Cidade Universitária. e outros mais:

Senhores. Deputados: prorroguem seus mandatos mas não prorroguem as obras da nossa Cidade Universitária.

A aula

Dando início à aula, o líder universitário Fernando Dias declarou:

Nós da UNE estamos aqui com os universitários cariocas para ver se conseguimos acordar o Congresso para a grave situação do ensino e alertá-los de sua responsabilidade para com a construção da Cidade Universitária. Passo a palavra ao Diretor de nossa faculdade, o jovem Pedro Carlos Teixeira, presidente do Centro Acadêmico Carlos Chagas.

Com a palavra, Pedro Carlos declarou que ali estava, juntamente com seus colegas, no intuito de ilustrar um pouco os deputados para ver se aprendem o que lhes falta devido às deficiências do ensino de sua época, que até hoje persistem. Passou então a palavra ao Catedrático para o inicio da aula. E Wilson Romano Calil iniciou sua aula que durou quase 1 hora e quarenta minutos. Durante esse período vários deputados apartearam. Foram eles: Adalto Lucio Cardoso, Benjamim Farah, Lopo Coelho, Frota Aguiar e Mario Martins, todos em apoio à campanha dos estudantes. Ouviram-se gritos por deputados da maioria, porém nenhum deles apareceu.

  

Pesquisado e transcrito por

Antonio José Barbosa de Oliveira
Professor do CBG/UFRJ e colaborador da Divisão de Memória
antoniojosearrobafacc.ufrj.br
 

Diário do Povo – 15 de maio de 1955

 

Uma Cidade para 30 mil Universitários

 

Em funcionamento o Instituto de Puericultura – Breve a conclusão do Hospital de Clínicas – Um arsenal de cultura na Baia de Guanabara

RIO, (Agência Nacional) – Na Cidade Universitária que está sendo construída no terreno resultante da junção, feita por aterro, de um arquipélago de nove ilhas da baia de Guanabara, já se encontra em pleno funcionamento o Instituto de Puericultura. Dispõe de 16 mil metros quadrados de piso e foi construído em três blocos interligados, com as seguintes dependências: ambulatório com capacidade para atender a 400 crianças por dia, hospital com cinco enfermarias e 170 leitos, além de abrigo maternal, banco de leite materno e pupileira, O edifício do Instituto está localizado no setor médico, entre o hospital de clínicas e a maternidade escola.

Hospital de Clínicas

A maior obra da Cidade Universitária será o Hospital de Clínicas, que está sendo construído numa área de 240 mil metros quadrados. Em cada uma das 16 clínicas que ali serão instaladas haverá 104 leitos, ambulatório completo, laboratórios, salas e anfiteatros para ensino, consultórios privativos para professores e ainda 152 quartos particulares. O edifico da Faculdade Nacional de Arquitetura já se encontra em fase de acabamento e constará de quatro blocos interligados, dispondo de todos os requisitos necessários ao fim a que se destina. Outra parte também em construção é a correspondente à Escola Nacional de Engenharia, cujo edifício constará de oito blocos.

Programa do próximo ano

As unidades em construção logo em funcionamento, independentemente da conclusão da Cidade Universitária, cujas obras gerais prosseguem ativamente, A Cidade foi projetada para uma lotação inicial de 15 mil e quinhentos estudantes, mas poderá comportar 30 mil. Os estudos urbanísticos, bem como o planejamento da grandiosa obra previram todos os aspectos da mesma, de modo a funcionarem ali, com o máximo de eficiência , dependências especializadas de todos os setores de ensino universitário. O acesso à Cidade Universitária será feito por duas pontes, uma já existente e outra em fase de construção.

 

Pesquisado e transcrito por

Antonio José Barbosa de Oliveira
Professor do CBG/UFRJ e colaborador da Divisão de Memória
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A Noticia – 24 de dezembro de 1954

 

Semiparalisada a Cidade Universitária

 

As obras são executadas em marcha-lenta, porque os recursos são insuficientes – O exemplo do México, onde se edificou obra semelhante em quatro anos – Fala à reportagem de A NOTICIA o engenheiro Horta Barbosa

Quem conhece as instalações das nossas escolas superiores, de todas sem exceções, sabe perfeitamente que a construção da Cidade Universitária, cujas obras foram iniciadas há seis longos anos, é um empreendimento da mais absoluta necessidade e urgência para o desenvolvimento do ensino. E o govêrno não ignora esse problema. Entretanto, nada faz para soluciona-lo prontamente, pelo menos essa é a impressão que se vem tomando conhecimento do ritmo assinalado na marcha das obras da Cidade Universitária.

Enquanto isso, a formação profissional dos estudantes continuará a ressentir-se consideravelmente, porque as escolas funcionam em prédios velhos, com acomodações precárias e inadequadas e não dispõem de equipamento moderno e indispensável.

Parcos recursos

Ontem, em contacto com a nossa reportagem, o engenheiro Luís Hildebrando Horta Barbosa, chefe do Escritório Técnico da Universidade do Brasil, teve ocasião de esclarecer a razão pela qual caminham lentamente as obras da Cidade Universitária.

De inicio, declarou-nos o seguinte : “ Se os recursos financeiros fôssem suficientes, a Cidade Universitária já poderia estar totalmente construída ou, na pior das hipóteses, em suas ultimas etapas. Entretanto, com os meios de que dispomos, anualmente, não é possível acelerar a construção.~”

O exemplo do México

“Não seria irrealizável – acrescentou- construí-la em 6 ou 7 anos, no máximo . Na própria América Latina temos exemplo de um país onde, em 4 anos, se construiu uma cidade universitária, com capacidade para 28 mil alunos. Refiro-me ao majestoso conjunto de estabelecimentos de ensino edificado, em estilo azteca, na cidade de Pedregal, no México, a pouco mais de 20 quilômetros da sua capital. Portanto, já não digo que se fizesse em quatro anos, como naquele país, mas em seis anos poderíamos entregar completamente concluídas as obras de que fomos encarregados”.

De 400 milhões para 180

Diz, em prosseguimento, o nosso entrevistado que os recursos são muito escassos, de forma que não pode prever quando estará terminada a construção da Cidade Universitária. “Este ano, por exemplo, solicitamos uma verba de 400 milhões, porém, essa importância ficou reduzida, no Orçamento, para 180 milhões, menos da metade do que precisavamos.”- aduziu o engenheiro Horta Barbosa.

Recorda, em seguida, os trabalhos preliminares levados a efeito, ou seja, a unificação das 9 ilhas pequenas, formando uma só, a ilha universitária, que compreende uma área de 600 hectares , bem como o saneamento da zona. Tudo isso que representa uma obra de vulto, conforme nos informou, foi feito em tempo relativamente curto.

E, encerrando suas declarações, afirmou:

“- Conforme é sabido, já está pronto e em funcionamento há mais de ano e meio o Instituto de Puericultura, destinado a ambulatório de higiene infantil. Todavia, falta muita coisa ainda, como as instalações para Arquitetura, Engenharia, Hospital de Clinica e outras. Conforme acentuei acima, a maior ou menor rapidez na execução das obras está na dependência exclusiva de verba.”

Perguntamos, ainda ao chefe do Escritório Técnico da Universidade do Brasil, sobre o motivo pelo qual os poderes públicos não forneciam as verbas necessárias para abreviar aquela importante construção. Porém, s.s., delicadamente, nos advertiu de que era, apenas, o engenheiro e a nossa indagação encerrava questões que escapavam de sua alçada.

 

Pesquisado e transcrito por

Antonio José Barbosa de Oliveira
Professor do CBG/UFRJ e colaborador da Divisão de Memória
antoniojosearrobafacc.ufrj.br
 

O Globo – 14 de dezembro de 1954

 

Em funcionamento a Cidade Universitaria, dentro de 5 anos

 

ENCERRANDO ontem sua visita ao Brasil, o ministro da educação da Espanha visitou, pela manhã, Acompanharam a autoridade espanhola, alem do Sr. Pedro Calmon, Reitor da Universidade do Brasil, autoridades dos Ministérios da Educação e Saúde e da Embaixada de Espanha.

Fácil na palavra, eloqüente, o Sr. Ruiz-Jimenez agradeceu as palavras de saudação e boas vindas antes pronunciadas pelo Sr. Pedro Calmon:

O Brasil surpreendeu-me com uma terra onde todas as coisas são grandiosas. Grande é a baía de guanabara, grande é o desenvolvimento industrial e comercial. Constato, agora, que é também grande o seu esforço pelo engrandecimento das coisas do espírito, percorrendo este centro universitário on de os projetos tiveram intenções super ativas. Recordo-me de um conselho do soberano espanhol Afonso X, o sábio que recomendava deverem os centros de estudos serem localizados em sítios aprazíveis, para que o espírito dos que estudavam, em contacto com as coisas realmente belas da natureza, pudesse encontrar ambiente melhor para pleno aproveitamento de sua atividade. Recomendarei aos arquitetos espanhóis que venham à América do Sul e visitem este Instituto, onde a arquitetura moderna se ergue independente e altiva, a serviço da ciência.

Realmente, o atual desenvolvimento das obras da cidade Universitária ainda não permitia pronunciamento mais amplo, por parte do Sr. Ruiz-Jimenez, Mais do que ele, pôde falar-nos o Professor Martinho da Rocha, sobre as atividades atuais e futuras do Instituto que dirige.

Projetado para, paralelamente aos trabalhos e programas da Universidade do Brasil, poder dar assistência médica diária a 200 crianças, o Instituto de puericultura já está funcionando parcialmente e , de certo modo, já atende a 100 crianças por dia, apenas, talvez, numa quinta parte daquilo que será dentro em breve seu objetivo.

É, ainda o professor Martin da Rocha quem fala :- a criação das cidades universitárias é necessidade decorrente dos imperativos da correlação entre as faculdades. Embora deva ser insulado, para não afastar o estudante do ambeiente do estudo, o centro universitário deve possuir núcleos residenciais onde a vida social e recreativa não sofra interrupções capazes de afetar a personalidade dos estudantes. Com a reunião, aqui, das Faculdades de Medicina, Engenharia, Arquitetura, Direito e das demais, teremos tudo isso aqui, dentro de uns cinco anos. Então estaremos trabalhando dentro de todas as possibilidades desta obra sôbre cuja grandeza já é inútil tecer mais exaltações.

  

Pesquisado e transcrito por

Antonio José Barbosa de Oliveira
Professor do CBG/UFRJ e colaborador da Divisão de Memória
antoniojosearrobafacc.ufrj.br
 

Correio da Manhã – 16 de novembro de 1954

 

Cidade Universitária: padrão de cultura nacional

 

Calmon: “Diminuição de verba da Cidade Universitária significa lesão nos interesses supremos do país – Horta Barbosa: “ Cidade Universitária não é obra de momento; é obra para hoje e para sempre”- O que estão construindo junto do Aeroporto Internacional do Galeão

“As obras da Cidade Universitária são de natureza tal por sua importância e sua urgência que não comportam ser interrompidas, adiadas sequer, prejudicadas no seu ritmo – pois delas depende a instalação de uma universidade que deve ser o padrão da cultura nacional”, disse-nos o sr. Pedro Calmon, reitor da Universidade do Brasil.

Essa declaração foi provocada em virtude de ter a Comissão de Finanças da Câmara do Deputados cortado (emenda 1.474) 40 milhões de cruzeiros da verba de 280 milhões da Cidade Universitária – logo em seguida, com outra submenda, reduzida de 100 milhões de cruzeiros.

A entrevista teve lugar em seu gabinete (Praia Vermelha) logo após haver o reitor presidido reunião do Conselho Universitário que, entre outros assuntos, tratara justamente do seríssimo caso dos cortes de verbas da Universidade do Brasil.

 

Lesão grave

Prossegue o entrevistado:

“Qualquer retardamento, qualquer diminuição de verba destinada a êsse fim, qualquer embaraço oposto à realização daqueles trabalhos- significará lesão grave dos interêsses supremos do país.

Haja visto o que já se consumiu até aqui a fim de atingirem as obras o vulto que ora apresentam”.

O responsável pelo escritório Técnico da Universidade do Brasil nos informaria, depois, que já empregou a união 486 milhões nas obras da Cidade Universitária – ligação das 9 ilhas, alteamento da superfície, construção de pontes (2) do posto de puericultura (em funcionamento), um bloco do Hospital de Clinicas e da Escola de Engenharia.

 

Regozijo nacional

“Todos os esforços da ETUB, competentemente dirigido pelo Engenheiro Horta Barboza, continua o Reitor, se concentram, no momento, em sua maior parte, na construção do Hospital de Clínicas – sonho secular de nossa Faculdade de Medicina – e na Escola de Engenharia e Escola de Arquitetura.

Será um dia de regozijo nacional o da inauguração de qualquer desses edifícios. Desejamos que, com maior brevidade, sejam entregues ao serviço da mocidade.”

O Hospital de Clínicas (que já tem bloco de pé), segundo nos informou o dr. Horta Barbosa, será o maior do Brasil, com mais de 2 mil leitos. Para ter uma idéia de seu tamanho basta dizer que seu volume será 2 vêzes o do Ministério da Fazenda: “obra grandiosa, mas não suntuosa” frisa o engenheiro.

Segundo ainda o responsável pelo ETUB, com a verba solicitada (sem o corte da câmara) a Escola de Arquitetura seria entregue dentro de um ano e meio no máximo. E a Escola de Engenharia, 8 meses após.

Educação, um problema nacional

Depois de outras considerações, assim conclui o reitor da Universidade do Brasil:

“Estamos certos que pensam assim quantos sentem nesta hora a gravidade do problema da educação brasileira- posto, aliás, em termos decisivos pelo presidente Café Filho em seu recente e memorável discurso, dedicado inteiramente a esse grave problema nacional”.

 

A significação do corte

O corte de 100 milhões de cruzeiros da verba proposta ao executivo impossibilita não sòmente o prosseguimento de várias obras de urbanização da ilha como, ainda, atrasa muito os três grandes edifícios em construção : o do Hospital de Clinicas (quando todo o rio clama por mais leitos em hospitais): o da Faculdade de Arquitetura – que, em verdade não temos – funcionando, parte na Praia Vermelha, parte na Escola de Belas Artes; e da Escola Nacional de Engenharia que, quando terminar, mudará inteiramente nosso sistema pedagógico – com seu caráter essencialmente prático.

E haverá ainda outros transtornos – que custará muito dinheiro à Nação – como, por exemplo, a rescisão de contrato já assinado para a construção da ponte “Oswaldo Cruz” , com pagamento de lucros cessantes, etc.

 

A cidade universitária

“ A Cidade Universitária não é obra suntuosa, como muitos pensam”, esclareceu-nos o sr. Horta Barbosa. “E apenas a primeira tentativa de se planejar, racionalmente para o futuro (em educação) realizando a pouco e pouco conforme as possibilidades do presente.

Como a unidade de tempo com que se mede a vida de uma universidade é, pelo menos, o século – sua lotação deve poder (e pode) crescer à medida das necessidades. Tudo ali foi previsto – desde o mobiliário do quarto do estudante, até a arborização da ilha: desde a mobilidade de instalações dos laboratórios (que evoluem com o aperfeiçoamento da técnica) à atração turística de que deve estar revestido quem se avizinha com nosso mais importante aeroporto internacional.

 

A educação no Brasil

“ Admitindo-se que até o fim deste século o índice da população muito modestamente, de 0,8 a 2,0 estudantes por mil habitantes, e que nossa população chegue a 90 milhões – teremos de construir, aparelhar e custear cidades ou núcleos universitários para cerca de 180 mil jovens, isto é, para mais de 140 mil, além dos 40 mil de que dispõe o país no presente.

Esse moderado acréscimo de estudantes de nível técnico-científico – conclui o diretor do ETUB – exigirá que, em 40 anos construa o Brasil nunca menos de 14 novas universidades de 10 mil estudantes.

É bom, pois, que o governo apresente esta primeira.

  

Pesquisado e transcrito por

Antonio José Barbosa de Oliveira
Professor do CBG/UFRJ e colaborador da Divisão de Memória
antoniojosearrobafacc.ufrj.br
 

O Jornal – 16 de novembro de 1954

 

Não deve a Camara cortar a verba da Cidade Universitaria

 

Depoimentos significativos de 3 parlamentares – Não se pode sacrificar a política de compressão de despesas o centro e o padrão da cultura superior de um povo

A CIDADE universitária e que da caráter orgânico a cultura, ela e que preside a formação dos homens públicos, dos estadistas e dos chefes de família, disse-nosso deputado Raimundo Padilha, falando sobre a instalação definitiva da Universidade do Brasil

E continua o parlamentar udenista Criadora de expressões morais e intelectuais- ela e que forma a grandeza de uma Nação. Tanto assim, exemplifica, que não e concebível a civilização Americana.

O assunto agora esta sendo agitado em virtude da noticia de que teria a Comissão de Finanças da Câmara, com emenda e sub-emenda, suprimido do orçamento de 1955 da Republica uma verba de 100 milhoes destinadas obras de instalação da Cidade Universitária.

Reconheço que não há dinheiro, explica o parlamentar que e, ainda, menbro da Comissão de Finanças.

Reconheço que o tesouro esta com enorme déficit. Mas mesmo sob o ponto de vista pratico- e doloroso ver que obras da importância de uma Cidade Universitária sejam interrompidas por falta de recursos financeiros.

Depois de explicar o papel de cidade universitária na vida de um povo e lamentar que tenha a União dificuldade na ereção de seu centro- padrão de cultura, conclui o sr. Raimundo Padilha.

Se e verdade que a Cidade Universitária esta ameaçada de paralizar suas obras por falta de recursos financeiros- não e menos verdade que isso se deve aos dinheiros públicos mal aplicados.

Com o que se emprestou mal, com o que foi emprestado em transações pouco licitas- daria para não so continuar, como concluir as obras da cidade universitária.

 

Benjamin Farah

A Cidade Universitária e um empreendimento corajoso e digno não so do espírito progressista de nossa gente, como ainda do alto grau de cultura a que estar reservado o destino de nossa pátria, disse-nos a propósito do mesmo assunto o deputado Benjamin Farah.

Em seguida, analisando a extraordinária obra do Ministério da Educação, comenta Aquele conjunto de obras arquitetônicas- da mais pura arquitetura brasileira- rodeado da edenica beleza local, forma um todo que impressiona viamente o visitante e se transforma no melhor cartão de visita do Brasil ao turista recém- chegado.

 

Firma posição

Depois de se referir ai corte de Cr$ 100 milhoes da verba de instalação da Cidade Universitária, afirma incisivo E um absurdo qualquer interupçao daquelas obras. Entravar seu programa chega a ser falta de patriotismo.

Estarei formado na primeira linha- conclui-, a fim de lutar contra qualquer protelação e redução das verbas daquelas obras, de extraordinária signinificaçao não so turística, como espiritual e intelectual para a Nação.

 

Alberto Deodato

Sobre o mesmo assunto, interrogado, respondeu o deputado Alberto Deodato
No Brasil sempre houve o mal de se criar uma Universidade e não se dar meios para sua instalação.

Depois de condenar todas as iniciativas que possam protelar as obras da Cidade Universitária, conclui

O que estão fazendo com a Universidade do Brasil e um verdadeiro absurdo. Deve haver outra maneira de se comprimir as despesas- a fim de não se sacrificar justamente aquilo que se firmara como o padrão da cultura superior do pais.

  

Pesquisado e transcrito por

Antonio José Barbosa de Oliveira
Professor do CBG/UFRJ e colaborador da Divisão de Memória
antoniojosearrobafacc.ufrj.br
 

Correio da Manhã – 29 de novembro de 1953

 

As futuras instalações do Instituto de Física Nuclear

O interêsse pelos estudos de física nuclear levou o govêrno a recomendar à Reitoria da Universidade do Brasil, a construção de um edifício, na Cidade Universitária, anexo às instalações da Escola Nacional de Engenharia, onde pu-dessem trabalhar os cientistas na-cionais que integram o Centro Brasileiro de Pesquisas físicas. Os estudos preliminares, ajustes e de-senvolvimento posteriores do mencionado edifício foram executados no Escritório Técnico da Universidade do Brasil, de que é chefe o engenheiro Luís Hildebrando Horta Barbosa , com a as-sistência do professor Cesar Lattes e de seus companheiros especializados.

Palavras do engenheiro Horta Barbosa

É oportuno observar que a extra-ordinária diversidade de proble-mas urbanísticos, arquitetônicos, de instalação e de execução, que devem ser abordados para a construção de uma Cidade Universitária, onde, ao mesmo tempo, há que projetar estádio, jardim botânico, rêde de esgotos, estações de tratamento de água potável e águas servidas, bibliotecas, audi-tórios, institutos de eletrotécnica, de fí-sica nuclear, de psiquiatria, de pueri-cultura, além de sedes para Escolas e Faculdades superiores, permite avaliar a multiplicidade de técnicos e especia-listas de que necessita o Escritório Téc-nico para levar avante os seus encar-gos. País novo, em fase de rápida in-dustrialização, os poucos técnicos, ar-quitetos e engenheiros realmente expe-rimentados e à altura dos difíceis pro-blemas que caracterizam uma universi-dade moderna, estão inteiramente ab-sorvidos em setores de atividades par-ticulares, onde os honorários são mais altos e as possibilidades econômicas mais vantajosas. A êsse respeito diz-nos o engenheiro Luís Hildebrando Horta Barbosa:

– O Escritório Técnico da Universidade do Brasil, a que estão afetos os traba-lhos de construção da Cidade Univer-sitária, na enseada de Manguinhos, tem, entretanto, conseguido a colabora-ção de alguns profissionais de alto ní-vel, movidos antes pelo entusiasmo e patriotismo que a grande obra desperta do que pelos reduzidos atrativos finan-ceiros que se possa proporcionar.

 

E acentua :

– Convém acrescentar que um de nos-sos melhores colaboradores tem sido o Instituto Nacional de Tecnologia , cujos técnicos têm colaborado no estu-do mecânico do subsolo, no estudo do clima da Ilha Universitária como nas condições de confôrto dos edifícios, nas análises diversas dos materiais de construção, bem como a consultores técnicos que, desinteressada e eficaz-mente, têm concorrido com seus conhecimentos em vários setores espe-cializados do planejamento.

O projeto

O projeto da futura sede do Instituto de Física Nuclear consta de três blocos interligados.

No primeiro bloco, medindo 2.380 m 2 , ficarão localizadas as instalações ad-ministrativas e de ensino, inclusive au-ditório para 300 pessoas.

O segundo bloco, dispondo de 12.400 m 2 , foi reservado para os laboratórios técnicos e de medidas de precisão e para os Gabinetes de estudos teóricos e de cálculo. Nesse mesmo bloco ficarão os geradores de alta tensão e de casca-ta, bem como, em anexo, tôdas as ins-talações experimentais auxiliares.

No terceiro bloco, dotado de ilumina-ção zenital mediante cobertura em sheds, serão colocadas as oficinas es-pecializadas de mecânica e montagem, de ótica, de eletricidade, de sopragem de vidro e outras de natureza especial ligados à técnica nuclear. Inicialmente, êsse bloco medirá 1.000 m 2 . O projeto, porém, prevê acréscimos futuros de mais de 5.000 metros quadrados .

Em sequência e fazendo corpo com ês-te último bloco, será construído um apêndice medindo mais 1.000 m 2 , des-tinado ao sincro-cilotron . Disporá êsse importante setor de grande câmara para o aparelho principal, sala de motores, câmaras de Wilson, contadores Geygers, preparação, alvos, laborató-rios de radio-química e outros anexos.

Esquadrias de alumínio para as obras da Cidade Universitária

O Escritório Técnico da Cidade Uni-versitária solicitou e obteve autorização do Presidente da República para efetuar coletas de preços entre firmas estran-geiras, para o fornecimento de produtos de alumínio de que necessita, para prosseguimento das obras daquele conjunto universitário. O despacho presidencial recomenda ainda ao Mi-nistério da Fazenda que facilite, com presteza, a isenção de impostos alfan-degários e ao Banco do Brasil que conceda cambiais que se tornarem ne-cessárias para a importação em causa.

(…) As esquadrias constituem elemento essencial das fachadas, quer sob o as-pecto funcional da iluminação, ventila-ção e conforto, quer sob o da harmonia plastica. E para tais esquadrias o mate-rial indicado é o aluminínio, por sua re-sistência aos agentes agressivos da at-mosfera, sua leveza e a necessidade de frequentes pinturas protetoras.

Como a produção brasileira é insufici-ente, ainda, o ETUB pensa adquirir o aluminínio, em perfilados, no estran-geiro, de preferência em países onde ti-vermos maiores possibilidades de divi-sas. Serão importadas, em 2 anos, de 800 a 900 toneladas do produto, para serem utilizadas no Hospital de Clíni-cas, Faculdade Nacional de Arquitetu-ra e Escola de Engenharia, cujas fases de construção estão a exigir solução imediata do problema das esquadrias externas.

  

Pesquisado e transcrito por

Antonio José Barbosa de Oliveira
Professor do CBG/UFRJ e colaborador da Divisão de Memória
antoniojosearrobafacc.ufrj.br
 

Diário Carioca – 06 de agosto de 1953

 

Cidade Universitaria

 

SEGUNDO noticiam os jornais o Presidente da Republica autorizou o Ministro da Educação a entrar em entendimentos com o Escritório técnico da Cidade Universitária a fim de providenciar no termino das construções para as quais já foi concedida prioridade. Foi ainda determinado de modo especial que se levantem imediatamente o Estádio Universitário e o primeiro bloco de residências para mil duzentos universitários.

Eis decisões louváveis. Já esta construído e parcialmente funcionando o Instituto de Puericultura. Estão em construção o Hospital de Clinicas, a Escola Nacional de Arquitetura.

Exceto o Hospital de Clinicas, não me pareceu, quando elas foram iniciadas, que se inpusesse a urgência das demais construções. A primeira delas atacada foi a do Instituto de Puericultura, construção que se arrastou por muito mais tempo do que o previsto. Ficou concluída. Mas há que dota-lo de pessoal, principalmente de enfermagem.Este e hoje um dos mas graves problemas com que se defrontam as organizações hospitalares universitárias: a carência de pessoal de enfermagem e a impossibilidade de preencher as vagas no respectivo quadro dada a exigüidade de remuneração da Tabela Oficial e as exigências regulamentares para seu provimento.

Os regulamentos exigem que essa, como as demais carreiras, sejam providas pelos cargos iniciais. Na carreira de enfermagem o cargo inicial e remunerado a 1.440 cruzeiros mensais, o que corresponde a menos do que ganha um servente. Para investidura nesse cargo cumpre possuir um diploma obtido após um curso regular. E tal a carência de enfermeiras diplomadas em todo o Brasil que aquelas que se formam são disputadas pelas casas de saúde de iniciativa privada, pagando vencimentos adequados. Como pode a Universidade entrar nessa concorrência pagando 1.440 cruzeiros mensais impossível. E e essa a razão pela qual o instituto de Puericultura da Universidade do Brasil, apesar de ter as suas novas instalações concluídas, não pode funcionar na sua totalidade por falta de pessoal técnico.

O mesmo certamente se passara com o Hospital das Clinicas que exigira maior numero de enfermeiros e auxiliares de enfermagem do que o de que dispõem atualmente as clinicas que ali vão funcionar.

Se pois, o governo esta interessado em ativar o termino das construções para as quais já foi dada prioridade, cumpre como primeira de suas medidas melhorar substancialmente a tabela de vencimentos do pessoal de enfermagem.

Quanto a ordem de levantarem-se imediatamente o Estádio Universitário e o primeiro bloco residencial para 1.200 alunos, creio que melhor fora deixar para mais tarde o Estádio e ao invés dele construir mais blocos residenciais para os estudantes.

O atual Ministro da Educação se mostra preocupado com a assistência social aos estudantes .Uma das primeiras formas dessa assistência e proporciona-lhes habitação higiênica ao alcance de seus parcos recursos financeiros.

Desde que me deixei convencer da utilidade da construção de uma Cidade Universitária, venho insistindo na prioridade que ali se deveria dar a construção de residências para os estudantes. Se ela tivesse sido dada de inicio, já poderia estar concluídos alguns dos blocos previstos para esse fim.

Decidiu-se, agora, construir o primeiro. Já e alguma coisa.Mas o problema envolve vários outros, tais como o de meios de transportes para esses estudantes enquanto as unidades que eles freqüentam se acham localizadas fora da Cidade Universitária. E quanto as organizações hospitalares, parece urgente uma revisão da tabela de vencimentos do pessoal de enfermagem, para que as novas instalações não fiquem as moscas por falta de pessoal para que elas funcionem.

  

Pesquisado e transcrito por

Antonio José Barbosa de Oliveira
Professor do CBG/UFRJ e colaborador da Divisão de Memória
antoniojosearrobafacc.ufrj.br