Semiparalisada a Cidade Universitária

 

As obras são executadas em marcha-lenta, porque os recursos são insuficientes - O exemplo do México, onde se edificou obra semelhante em quatro anos - Fala à reportagem de A NOTICIA o engenheiro Horta Barbosa

Quem conhece as instalações das nossas escolas superiores, de todas sem exceções, sabe perfeitamente que a construção da Cidade Universitária, cujas obras foram iniciadas há seis longos anos, é um empreendimento da mais absoluta necessidade e urgência para o desenvolvimento do ensino. E o govêrno não ignora esse problema. Entretanto, nada faz para soluciona-lo prontamente, pelo menos essa é a impressão que se vem tomando conhecimento do ritmo assinalado na marcha das obras da Cidade Universitária.

Enquanto isso, a formação profissional dos estudantes continuará a ressentir-se consideravelmente, porque as escolas funcionam em prédios velhos, com acomodações precárias e inadequadas e não dispõem de equipamento moderno e indispensável.


Parcos recursos

Ontem, em contacto com a nossa reportagem, o engenheiro Luís Hildebrando Horta Barbosa, chefe do Escritório Técnico da Universidade do Brasil, teve ocasião de esclarecer a razão pela qual caminham lentamente as obras da Cidade Universitária.

De inicio, declarou-nos o seguinte : “ Se os recursos financeiros fôssem suficientes, a Cidade Universitária já poderia estar totalmente construída ou, na pior das hipóteses, em suas ultimas etapas. Entretanto, com os meios de que dispomos, anualmente, não é possível acelerar a construção.~”


O exemplo do México

“Não seria irrealizável – acrescentou- construí-la em 6 ou 7 anos, no máximo . Na própria América Latina temos exemplo de um país onde, em 4 anos, se construiu uma cidade universitária, com capacidade para 28 mil alunos. Refiro-me ao majestoso conjunto de estabelecimentos de ensino edificado, em estilo azteca, na cidade de Pedregal, no México, a pouco mais de 20 quilômetros da sua capital. Portanto, já não digo que se fizesse em quatro anos, como naquele país, mas em seis anos poderíamos entregar completamente concluídas as obras de que fomos encarregados”.


De 400 milhões para 180

Diz, em prosseguimento, o nosso entrevistado que os recursos são muito escassos, de forma que não pode prever quando estará terminada a construção da Cidade Universitária. “Este ano, por exemplo, solicitamos uma verba de 400 milhões, porém, essa importância ficou reduzida, no Orçamento, para 180 milhões, menos da metade do que precisavamos.”- aduziu o engenheiro Horta Barbosa.

Recorda, em seguida, os trabalhos preliminares levados a efeito, ou seja, a unificação das 9 ilhas pequenas, formando uma só, a ilha universitária, que compreende uma área de 600 hectares , bem como o saneamento da zona. Tudo isso que representa uma obra de vulto, conforme nos informou, foi feito em tempo relativamente curto.

E, encerrando suas declarações, afirmou:

“- Conforme é sabido, já está pronto e em funcionamento há mais de ano e meio o Instituto de Puericultura, destinado a ambulatório de higiene infantil. Todavia, falta muita coisa ainda, como as instalações para Arquitetura, Engenharia, Hospital de Clinica e outras. Conforme acentuei acima, a maior ou menor rapidez na execução das obras está na dependência exclusiva de verba.”

Perguntamos, ainda ao chefe do Escritório Técnico da Universidade do Brasil, sobre o motivo pelo qual os poderes públicos não forneciam as verbas necessárias para abreviar aquela importante construção. Porém, s.s., delicadamente, nos advertiu de que era, apenas, o engenheiro e a nossa indagação encerrava questões que escapavam de sua alçada.

 

Pesquisado e transcrito por

Antonio José Barbosa de Oliveira
Professor do CBG/UFRJ e colaborador da Divisão de Memória
antoniojosearrobafacc.ufrj.br
 
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