Sobre nove ilhas uma cidade universitária

 

Abrigará trinta mil estudantes – A formação do espírito universitário, que ainda não possuímos – Em fase de acabamento o Instituto de Puericultura – A Escola de Arquitetura em 1955 e a de Engenharia no ano seguinte – Espera-se a conclusão da grandiosa obra de 1960 a 1962

Encontra-se em andamento de construção uma das maiores e mais importantes obras da engenharia nacional – a Cidade Universitária. Localizada entre a ponta do Cajú e a ilha do Governador, estará sobre nove ilhas, na enseada de Manguinhos. Quando pronta, tornar-se-á a mais notável concentração estudantil da América do Sul. Depois de executados todos os trabalhos, as nove ilhas se transformarão em uma só, com cerca de 6 milhões de metros quadrados de superfície. Terão desaparecido Sapucaia, Bom Jesus, Fundão, Pinheiros, Cabras, Catalão, Baiacú, Pindão do Franca e Pindão do Ferreira, dando lugar à ilha universitária.


Razão da localização


Para muitos pode parecer que a localização da Cidade Universitária foi escolhida em ponto afastado do centro da cidade. É preciso esclarecer que se encontra distante da Rua do Ouvidor apenas um quilômetro a mais da distância que separa o mesmo ponto central da cidade, das escolas superiores da Praia Vermelha. Sem contar a vantagem da concentração, imprimindo pela primeira vez no Brasil o verdadeiro espírito universitário, devem ser considerados outros fatores que logo se evidenciam. Ao contrário do que se acredita, a maioria dos universitários se concentra na zona norte. Tijuca, Grajaú, Penha, Madureira e Méier contam 56% dos estudantes de escolas superiores, enquanto que Copacabana, Leme, Ipanema, Leblon e Gávea possuem 17% apenas.

As obras em execução na Sapuacaia permitem dispor de uma área impossível de ser comseguida em outro setor mais central da cidade (a ilha de ponta a ponta tem a extensão de cerca de 5 quilômetros), sem os grandes gastos com as desapropriações e sem os problemas sociais decorrentes da demolição de zonas comerciais e residenciais. Junte-se a isto o saneamento da região, a limpeza dos bancos de areia e dos montes de terra próximos ao Aeroporto do Galeão, cujos volumes vão sendo aproveitados nas obras de aterro.


O plano

 

As obras da Cidade Universitária estão sendo executadas sob a chefia do Engenheiro Luiz Hildebrando Horta Barbosa, sendo que seu planejamento arquitetônico coube ao Sr. Jorge Machado Moreira, chefe da equipe de arquitetos. O planejamento compreende Hospital de Clínicas, Instituto de Puericultura, Faculdades de Arquitetura, Filosofia, Escola de Engenharia, Farmácia, Laboratório de Física Nuclear (onde será instalado o sincrociclotron), Centro de Educação Física e blocos residenciais e da administração.

Atualmente se encontra na fase de acabamento o Instituto de Puericultura, que deverá entrar em atividade já em março de 1953. Para 1955 espera-se aprontar a Faculdade de Arquitetura, a Escola de Engenharia, que compreende sete pavilhões, com um edifício central de 12 andares. Dependendo, naturalmente da concessão de verbas e do fornecimento de material, a obra deverá estar concluída entre os anos de 1960 e 1962. Sua capacidade total será de 30.000 estudantes, dos quais 10.000 poderão ser comportados na zona residencial. Essa lotação não é exagerada, se levarmos em conta que universidades norte-americanas e européias possuem mais de 40.000 alunos.


As verbas


A maior dificuldade para o apressamento das obras tem sido a dificuldade das verbas orçamentárias, a par com a falta de material, particularmente no momento, devido às dificuldades de importação. Apesar do serviço ter tido início em 1949, o tempo de trabalho efetivo deve ser reduzido para 2 anos. Até 1952 foram dados créditos no valor de 277 milhões de cruzeiros. Par o próximo orçamento, apesar do Executivo ter aprovado a verba de 250 milhões, estes foram reduzidos pelo Legislativo para 194.000.000. O valor total das obras não pode ser calculado com exatidão, devido a circunstâncias várias. Uma coisa é certa porém: quanto mais demorada, mais custará à nação.

  

Pesquisado e transcrito por

Antonio José Barbosa de Oliveira
Professor do CBG/UFRJ e colaborador da Divisão de Memória
antoniojosearrobafacc.ufrj.br
 
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