“A Cidade Universitária não é obra de fachada”

 

O Engenheiro Horta Barbosa retifica conceitos emitidos pelo Prof. Muniz de Aragão – Soluções Urbanísticas e Arquitetônicas Premiadas em Duas “Bienais” e na Exposição Internacional de Bruxelas.

Esclarecendo o que há de positivo em torno da Cidade Universitária, o Engenheiro Luiz Hildebrando Horta Barbosa, Ex-Chefe do Escritório Técnico daquela Universidade, ora no B.N.D.E., prestou-nos as seguintes declarações:

- Por ocasião da aula Inaugural dos cursos universitários, na Universidade do Brasil, o Prof. Raimundo Muniz de Aragão historiou o surgimento das universidades européias, bem como o seu florescimento nos Estados Unidos e na América Espanhola, em contraste com a sua total ausência no Brasil, não obstante os esforços jesuíticos. Tem razão ao assinalar que a maior deficiência que se recente a Universidade Brasileira, decorre da Inexistência do próprio ambiente universitário .


A ilha universitária

O problema da localização foi então superado e posto em equação norteado pelo propósito, que até aí não se cogitara, de colocar a Cidade Universitária ao alcance fácil e econômico da generosidade dos estudantes. Poucos dispunham de automóvel ou de sobras de dinheiro para transportes diários a longa distância. Além disso, o tempo que perdiam em viagem era roubado dos estudos. E, como resultado da soma de todos estes fatores. A Cidade Universitária , aí está, construída numa ilha, perto do centro urbano e que, por sua vez, foi preparado para recebê-la. A Ilha Universitária do Estado da Guanabara, foi feita com a incorporação de nove outras que se espalhavam pela baia, entre a Ponta do Caju e a Ilha do Governador. Todas elas, a do Fundão, Baiacu, Cabras, Pindaí do Ferreira, Pindaí do França, Bom Jesus, Catalão, Pinheiro e Sapucaia, foram absorvidas pela Ilha Universitária, que compreende uma superfície de cinco milhões e seiscentos mil metros quadrados. Será nessa Ilha, agora construída em ritmo acelerado, a Cidade Universitária. Vamos visitá-la e saber o que já foi feito e o que resta fazer para que a “cidade” fique pronta.


Padrão máximo em dez setores

Há uma ponte ligando a ilha do saber e da cultura ao continente. E mais outra, em construção, num ponto fronteiro ao Instituto de Manguinhos. Quem passa ao largo não avalia, de modo algum, a importância da grande obra, atualmente posta sob a direção do engenheiro Lucílio Briggs. A reportagem de A NOITE, durante várias horas, percorreu a Cidade Universitária, tendo por ciceroni o Sr. Arlindo Araújo Gomes , posto à nossa disposição pelo Escritório Técnico. Vários quilômetros de avenidas asfaltadas facilitaram o nosso turismo pela cidade. Aliás, todos os dias há turistas, principalmente estrangeiros, percorrendo a obra. E todos se retiram maravilhados. Na hora das comparações, afirmam que não há, em todo mundo, um núcleo universitário tão completo e moderno e que incorpore na sua concepção as últimas conquistas da moderna pedagogia do Ensino Superior.

Realmente, pelos dados que nos foram fornecidos, concluímos que a Cidade Universitária enfeixará o padrão máximo em todos os dez setores da sua divisão pedagógica, que são os seguintes: primeiro – Reitoria, Biblioteca, Museu e Planetário; segundo – Filosofia, Ciências, Letras e Educação; terceiro – Ciências Sociais, Jurídicas, Políticas, Econômicas e Administrativas; quarto – Medicina, Odontologia, Farmácia e Enfermagem; quinto- Engenharia, Química, Tecnologia. Eletrotécnica e Física Nuclear; sexto – Arquitetura, Urbanismo, Belas Artes, Música e Teatro; sétimo – Educação Física e Desportos. Seguem-se os setores complementares, que são: oitavo – Residencial para professores, estudantes e funcionários; nono – Prefeitura e Serviços Auxiliares e, décimo: Setor Florestal e Zoológico.

Depois de pronta – o que levará ainda alguns anos – a Cidade Universitária, inteiramente edificada, abrigará , uma população de 50 mil pessoas, superior, portanto, à de numerosos municípios do interior. Somente para os diferentes setores do ensino superior, serão construídos 26 edifícios de grande porte. Atualmente, limitados pelas disponibilidades dos recursos, trabalhos em marcha estão sendo concentrados na construção do Hospital de Clínicas , da Faculdade Nacional de Engenharia, Faculdade Nacional de Arquitetura, nova ponte de Manguinhos, nas oficinas gráficas e em obras de urbanização. As ruas, muitas já pavimentadas, serão arborizadas e várias praças terão um ajardinamento adequado. Para esse fim já estão sendo preparadas, nos três hortos, próprios da Cidade Universitária, mais de 50 mil mudas. Eis, em resumo, o que pode ser dito e escrito, para o conhecimento dos leitores, sobre a Cidade Universitária e o seu todo como obra de grande envergadura e, mesmo, de repercussão internacional, dados o estilo e a amplitude do conjunto, que a elevam à categoria das mais modernas e completas do mundo. De todo esse conjunto, uma obra já se encontra pronta, acabada e funcionando: a do Instituto de Puericultura. Outra será inaugurada em julho próximo: a do Hospital de Clínicas e a da Faculdade Nacional de Engenharia. Encontra-se pronto, igualmente, um dos alojamentos de alunos. Essas obras, pela importância dos seus detalhes, serão objeto de uma segunda reportagem de A NOITE sobre a Cidade Universitária.

  

Pesquisado e transcrito por

Antonio José Barbosa de Oliveira
Professor do CBG/UFRJ e colaborador da Divisão de Memória
antoniojosearrobafacc.ufrj.br
  
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