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A Divisão de Memória Institucional (DMI) do Sistema de Bibliotecas e Informação (SiBI) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) celebra o centenário do professor, escritor, advogado, sociólogo, cientista político e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Hélio Jaguaribe Gomes de Mattos (1923-2018) reunindo em uma exposição bibliográfica e iconográfica a sua trajetória intelectual, social e política brasileira.

A Exposição “Hélio Jaguaribe 100 anos” foi organizada pela DMI em quatro eixos temáticos de acordo com a sua trajetória. Ficando dessa forma dimensionada: 1º eixo: vida e trajetória; 2° eixo: estudos filosóficos, históricos, sociológicos e políticos; 3º eixo: desenvolvimentismo e economia e o 4º eixo: relações internacionais e América Latina.

Hélio Jaguaribe nasceu em 23 de abril de 1923, no Rio de Janeiro. Era filho do cartógrafo, geógrafo e general Francisco Jaguaribe Gomes de Mattos e de Francelina Santos Jaguaribe de Matos, oriunda de uma família portuguesa. Ele se casou com Maria Lúcia Charnaux com quem teve cinco filhos: Anna, Roberto, Cláudia, Beatriz e  Isabel.

Hélio Jaguaribe graduou-se, em 1946, em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Recebeu várias honrarias ao longo de sua carreira, dentre as mais importantes foram: o grau de Doutor Honoris Causa, em 1983, da Universidade de Mainz, na Alemanha; em 1992, o mesmo título lhe foi concedido pela Universidade Federal da Paraíba e pela Universidade de Buenos Aires, na Argentina; em 1984, foi agraciado como Grande Oficial da Ordem do Mérito; com a Orden del Libertador San Martín; com a Orden Mexicana del Aguilla Azteca; em 1996, recebeu a Grã-cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico; em 1999, recebeu a Ordem do Mérito Cultural pelo Ministério da Cultura no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002); recebeu também a Ordem do Rio Branco; em 2001, recebeu a Ordem do Infante D. Henrique de Portugal; e, em 3 de março de 2005, foi eleito como o nono ocupante da Cadeira número 11, na ABL, na sucessão de Celso Furtado e recebido em 22 de julho de 2005 pelo acadêmico Candido Mendes de Almeida.

Em 1953, contribuiu para fundar o Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (IBESP). Jaguaribe tornou- se secretário-geral e diretor, auxiliando na publicação da revista “Cadernos de Nosso Tempo”, que tinha como foco ensaios nas áreas de sociologia e economia.

Em 1955, foi criado pelos membros do IBESP e decretado pelo presidente Café Filho (1954-1955) o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Este tinha como intuito influenciar nas decisões no que se referia à orientação do desenvolvimento nacional. Em 1958, após a publicação da obra “O nacionalismo na atualidade brasileira”, de autoria de Jaguaribe, o ISEB passou por uma grande crise interna. No livro, Jaguaribe criticava o modelo de nacionalismo empregado no país e que, segundo o autor, espantava investimentos de outros países no Brasil, gerando um consequente atraso no seu desenvolvimento.

Em 1964, foi morar nos Estados Unidos após ter criticado publicamente o golpe militar que derrubou o governo do presidente João Goulart (1961-1964). Neste período, lecionou em algumas das mais prestigiadas universidades estadunidenses: Harvard (1964 a 1966); Stanford (1966 a 1967); e Massachusetts Institute of Technology (MIT) (1968 a 1969). Em 1969, retornou ao Brasil e se tornou diretor de assuntos internacionais da Universidade Cândido Mendes. Em 1979, foi nomeado decano do recém-criado Instituto de Estudos Políticos e Sociais (IEPS), permanecendo na função até 2003. Após a sua saída, Jaguaribe foi nomeado decano emérito do IEPS.

Após o processo de redemocratização, em 1985, durante o governo José Sarney (1985-1990), Jaguaribe foi o coordenador do Projeto Brasil 2000, cujos resultados foram publicados, em 1986, no livro “Brasil 2000: para um novo pacto social”. Dois anos depois, em 1988, foi publicado o segundo volume do projeto: “Brasil: reforma ou caos”. Durante a realização deste segundo livro, Jaguaribe foi convidado pelo Instituto de Economia da UFRJ a lecionar como professor visitante para debater tais pesquisas. Ainda em 1988, Jaguaribe auxiliou na fundação do Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB. Em 1992, abriu mão de suas funções partidárias e aceitou o cargo de secretário da Ciência e Tecnologia do governo do então presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992). Com a destituição do governo, Jaguaribe voltou a atuar no campo acadêmico.

Hélio Jaguaribe faleceu em 10 de setembro de 2018, em sua casa, no Rio de Janeiro. Após a sua morte o Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE) da UFRJ o homenageou com a Cátedra Hélio Jaguaribe que busca analisar as relações entre a democracia e suas instituições e o desenvolvimento econômico, com a intenção de investigar a hipótese de uma possível incompatibilidade entre a adoção de políticas centradas no mercado com a eventual supressão de direitos e a vigência de um projeto estável de regime democrático, privilegiando, assim, as relações entre os poderes.

 

Andréa Cristina de Barros Queiroz

Historiadora da UFRJ

Diretora da Divisão de Memória Institucional/SiBI/UFRJ

 

 

 

Catálogo das obras de Hélio Jaguaribe na Base Minerva da UFRJ

 

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