Cidade Universitaria

 

SEGUNDO noticiam os jornais o Presidente da Republica autorizou o Ministro da Educação a entrar em entendimentos com o Escritório técnico da Cidade Universitária a fim de providenciar no termino das construções para as quais já foi concedida prioridade. Foi ainda determinado de modo especial que se levantem imediatamente o Estádio Universitário e o primeiro bloco de residências para mil duzentos universitários.

Eis decisões louváveis. Já esta construído e parcialmente funcionando o Instituto de Puericultura. Estão em construção o Hospital de Clinicas, a Escola Nacional de Arquitetura.

Exceto o Hospital de Clinicas, não me pareceu, quando elas foram iniciadas, que se inpusesse a urgência das demais construções. A primeira delas atacada foi a do Instituto de Puericultura, construção que se arrastou por muito mais tempo do que o previsto. Ficou concluída. Mas há que dota-lo de pessoal, principalmente de enfermagem.Este e hoje um dos mas graves problemas com que se defrontam as organizações hospitalares universitárias: a carência de pessoal de enfermagem e a impossibilidade de preencher as vagas no respectivo quadro dada a exigüidade de remuneração da Tabela Oficial e as exigências regulamentares para seu provimento.

Os regulamentos exigem que essa, como as demais carreiras, sejam providas pelos cargos iniciais. Na carreira de enfermagem o cargo inicial e remunerado a 1.440 cruzeiros mensais, o que corresponde a menos do que ganha um servente. Para investidura nesse cargo cumpre possuir um diploma obtido após um curso regular. E tal a carência de enfermeiras diplomadas em todo o Brasil que aquelas que se formam são disputadas pelas casas de saúde de iniciativa privada, pagando vencimentos adequados. Como pode a Universidade entrar nessa concorrência pagando 1.440 cruzeiros mensais impossível. E e essa a razão pela qual o instituto de Puericultura da Universidade do Brasil, apesar de ter as suas novas instalações concluídas, não pode funcionar na sua totalidade por falta de pessoal técnico.

O mesmo certamente se passara com o Hospital das Clinicas que exigira maior numero de enfermeiros e auxiliares de enfermagem do que o de que dispõem atualmente as clinicas que ali vão funcionar.

Se pois, o governo esta interessado em ativar o termino das construções para as quais já foi dada prioridade, cumpre como primeira de suas medidas melhorar substancialmente a tabela de vencimentos do pessoal de enfermagem.

Quanto a ordem de levantarem-se imediatamente o Estádio Universitário e o primeiro bloco residencial para 1.200 alunos, creio que melhor fora deixar para mais tarde o Estádio e ao invés dele construir mais blocos residenciais para os estudantes.

O atual Ministro da Educação se mostra preocupado com a assistência social aos estudantes .Uma das primeiras formas dessa assistência e proporciona-lhes habitação higiênica ao alcance de seus parcos recursos financeiros.

Desde que me deixei convencer da utilidade da construção de uma Cidade Universitária, venho insistindo na prioridade que ali se deveria dar a construção de residências para os estudantes. Se ela tivesse sido dada de inicio, já poderia estar concluídos alguns dos blocos previstos para esse fim.

Decidiu-se, agora, construir o primeiro. Já e alguma coisa.Mas o problema envolve vários outros, tais como o de meios de transportes para esses estudantes enquanto as unidades que eles freqüentam se acham localizadas fora da Cidade Universitária. E quanto as organizações hospitalares, parece urgente uma revisão da tabela de vencimentos do pessoal de enfermagem, para que as novas instalações não fiquem as moscas por falta de pessoal para que elas funcionem.

  

Pesquisado e transcrito por

Antonio José Barbosa de Oliveira
Professor do CBG/UFRJ e colaborador da Divisão de Memória
antoniojosearrobafacc.ufrj.br
 
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